16 de dezembro de 2011

MERLIN : NEIMHEAD

Por Wallace William de Sousa (Ramo de Carvalho)

Merlin pertence, irremediavelmente, ao mundo das lendas. Qualquer tentativa de situar um Merlin histórico é mera especulação, pois não temos nenhuma evidência de sua existência real. Merlin é comumente visto como o arquétipo do Mago, de manto escuro e chapéu pontudo, como Gandalf, mas suas origens são muito mais obscuras do que isso.

Um dos primeiros registros da história da Grã-Bretanha se chama História Brittonum, do monge Nennius. Nessa obra há uma passagem sobre o rei Vortigern que chama muito a atenção: nela, Vortigern tentava construir repetidamente uma torre, que sempre desabava. Consultando seus sábios magos, Vortigern recebe o conselho de banhar as bases com o sangue de uma criança nascida sem um pai. Uma criança chamada Ambrosius foi descoberta com essas características, e foi levada ao rei. Lá, ele é surpreendido com a veemência do jovem, que insiste que ele cave a base onde ele quer construir a torre até que água fosse encontrada. Quando a água surge, e a lua banha o local, dois dragões surgem, um branco e um vermelho, lutando. O garoto diz a Vortigern que os dragões representam os Saxões e os Britânicos, e que haverá uma batalha definitiva entre eles. Geoffrey de Monmouth chama esse jovem, no seu Historia Regum Brittania, de Merlinus Ambrosianus, uma adaptação do nome Galês Myrddin Emrys. Mas o problema da obra de Geoffrey é o fato de parecer que ele usa dois personagens distintos: o primeiro, de óbvia origem Britano-Romana é Merlinus Ambrosianus. O outro é o Galês Myrddin Wyllt.

Esse segundo teria servido como Bardo na corte do rei Rhydderch Hael, sendo ele mesmo filho de alta estirpe no oeste Britânico. Mas na Batalha de Arderydd, ele fica louco, e parte para se refugiar nas florestas, onde passa sua vida vaticinando sobre o futuro da Brittania, vivendo apenas na companhia das feras, aparecendo para os homens apenas quando uma catástrofe estava por vir. Esse Merlin foi retratado por Geoffrey em seu trabalho Prophetiae Merlini. O outro Merlin, Merlinus Ambrosianus/Myrddin Emrys é o garoto sem pai, filho de uma entidade mística (nos tempos Cristãos da era medieval, visto como um demônio, mas entendido que, se essa lenda realmente remontar ao passado Celta, poderia ser alguma divindade em sua versão original). Ele se torna o lendário conselheiro de Arthur, e um de seus mentores, bem como o tutor de sua irmã, Morgana, até que é aprisionado por outra de suas discípulas, a fada Nimue (conhecida pelas versões Francesas como Viviane) em uma caverna de cristal, na floresta de Broceliande (na Bretanha Francesa, há a Floresta de Brekilien). Geoffrey de Monmouth une os dois personagens, e eles costumam ser unidos com outros mais. Um deles sendo o Bardo Taliesin, a mais mítica personagem da literatura Galesa medieval (mais do que o próprio Arthur), e o louco da floresta Lailoken. Outras referências literárias são os poemas nos Quatro Livros Antigos do País de Gales. Tanto Merlin quanto Taliesin têm inúmeros poemas atribuídos a eles, muitos mostrando o teor comum da cultura Celta, com seus louvores à natureza, outros com teor profético, e alguns ainda com força mágica. À Merlin é atribuído principalmente o poema chamado Afallenau (pronuncia: avahlenai), que seria a primeira referência à Glastonbury com o nome Avalon. Essas referências, junto às compilações de Geoffrey de Monmouth, são as principais citações antigas a Merlin, mesmo que Monmouth seja um autor medieval reescrevendo lendas antigas ao seu próprio modo. Mas já nos dão material para analisar o teor da mitologia Celta neles.

Começando pela lenda de Vortigern, uma possível evidência de sobrevivência mitológica-cultural pré-Cristã é o fato de ser exigido que a criança sem pai fosse sacrificada para que a torre fosse construída. Se esses magos e sábios que aconselhavam o rei fossem Druidas, ainda que não fossem chamados pelo nome, a evidência do sacrifício humano não seria tão estranha. A criança com o nascimento virginal é comum a várias culturas e religiões, sendo a mais conhecida o Cristianismo, mas existente em todo o mundo Ocidental e no Oriente Médio. Na mitologia Celta, não apenas Merlin, mas Taliesin e Cuchúlainn partilham dessa forma de concepção, ainda que seja sempre por alguma influência sobrenatural. Geoffrey de Monmouth sugere que o nascimento de Merlin seria devido a um espírito infernal, ainda que, se ele estivesse realmente se baseando em versões folclóricas, é possível que o pai de Merlin fosse originalmente alguma entidade da mitologia Galesa. A batalha dos dragões é um símbolo da guerra entre Britânicos e Germanos, que viriam a um dia a dominar a região mais rica da ilha e a batizar de Inglaterra (a Terra dos Anglos). Os Celtas, derrotados pelas ondas Germânicas, recuariam até o Oeste, onde resistiriam. O Dragão Vermelho (Draig Goch) se tornaria o símbolo do Pendragon Arthuriano e vive até hoje na bandeira do País de Gales, onde a língua e parte da cultura Britânica original persistem.

Já o Myrddin Wyllt tem relações diferentes. Por nascimento, ele seria um nobre de Gwynedd, no norte de Gales, e seria um bardo na corte de um rei Galês. Em uma batalha, ele enlouquece, e vai viver em meio aos animais da floresta, fazendo profecias sobre o futuro da Brittania. Esse Merlin tem conotações místicas não no seu nascimento, mas na sua posição. Ele é um Bardo, uma das posições com influência sacerdotal na sociedade Celta. Na mitologia Galesa, muitas vezes o papel do Druida era substituído pelo do Bardo, mais adequado à moral Cristã dos monges compiladores, e isso poderia dizer que Bardos com muitas habilidades mágicas seriam, na verdade, Druidas “adaptados”. Ao ver a carnificina na Batalha de Arderydd, ele fica louco e parte para viver entre os animais. Essa é uma instância muito comum nas mitologias em geral, mas na mitologia Celta em particular ela toma uma forma profética. A loucura é muitas vezes associada à sabedoria, e vemos o mesmo acontecer com o Irlandês Suibhne Geillt, e o misterioso Lailoken, que muitas vezes é associado ao próprio Merlin. Normalmente, no meio místico, não vemos esse processo como uma “loucura” pura e simples, mas como um estado de consciência alterado, semelhante ao xamanismo.

Uma lenda dizia que, se alguém treinado dormisse em determinada montanha da Irlanda, acordaria ou louco, ou morto, ou um poeta. O processo da busca iniciática pela iluminação une esses três pontos, onde o risco de tender para uma das duas primeiras opções equivale à possibilidade de atingir o Imbas. No País de Gales, Giraldus Cambrensis cita os Awenyddion, uma casta de poetas itinerantes, que possuíam capacidades proféticas e que quando vaticinavam, pronunciavam “palavras desconexas, mas que faziam todo o sentido”. A capacidade profética é sempre intimamente ligada ao estado alterado da consciência, pois a mente em estado racional é incapaz de ver além dos seus sentidos mundanos.

A lenda de Merlin (e de Arthur) é sempre intimamente ligada com a lenda de Morgana. Mas a verdade mais impressionante é que Morgana não aparece nas versões mais antigas da lenda. Ela só passa a ser citada por Chrétien de Troyes, na migração da lenda para a França, e depois adquire sua forma definitiva (ou quase, afinal, os nossos dias tendem a transformar Morgana em heroína) com Sir Thomas Mallory. Ainda assim, algumas palavras sobre ela se fazem mais do que necessárias. Morgana é, certamente, um nome de origem Celta, mas a etmologia é incerta. Se for de origem Britonica, seu significado pode vir de Mor Canu (Canção do Mar), ou Mor Gân (“que veio do Mar”), mas há uma possibilidade de seu nome ser uma adaptação do Gaélico Morrighan (Grande Rainha). Havia um assentamento Gaélico na Demétia, no Oeste de Gales, então uma influência Gaélica na lenda não seria impossível, mas na mitologia Irlandesa, Morrighan é sempre uma deusa, enquanto Morgana é uma mulher mortal. Porém, os mitos Britonicos sofrem muito mais influência Cristã que os Gaélicos, e a “humanização” desse porte não seria estranha aos monges Galeses. Morgana, em si, partilha de muitas semelhanças com a deusa Morrighan, mas não é possível afirmar que uma seja a versão da outra com certeza. Já Nimue/Viviane, ela surge mais tarde na lenda, mas quase ao mesmo tempo na história. Ela é parte do povo das fadas (Tylwyth Teg ou Sidhe), mas sua habilidade mágica é aprendida com Merlin. Quando ela consegue aprender tudo o que precisa com o velho mago, ela o aprisiona em uma jaula de cristal na floresta de Broceliande, próximo à fonte de Barenton, onde foram amantes.

Apesar do teor lendário dessa história, ela remete a um procedimento xamânico muito comum, onde o aprendiz sacrifica simbolicamente o seu mestre para tomar seu lugar. Outro parceiro de peripécias de Merlin é Taliesin. Muitas vezes confundido com o próprio Merlin (em grande parte, por serem assim retratados em “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley), não temos como afirmar que seriam realmente um só. Taliesin, como Myrddin Wyllt, é um bardo, mas nunca enlouquece. Na verdade, sua mitologia é extremamente complexa: ele é nascido Gwion Bach, até ser escolhido pela deusa Ceriddwen para participar da criação de uma poção mágica que daria a sabedoria suprema para seu filho, Afaghdu. Porém, a sabedoria termina por vir ao próprio Gwion, que é caçado ferozmente por Ceriddwen, com ambos se transformando em animais da Terra, do Céu e do Mar, mas que termina oculto na forma de um grão de trigo, que é devorado por Ceriddwen, na forma de uma galinha. Nove meses depois, ela dá a luz a um garoto, que ela atira ao mar. Esse garoto, resgatado pelo nobre Elphin, recebe o nome Taliesin (“fronte radiante”), e se torna o mais lendário Bardo da tradição Galesa. Sua lenda tem pouquissimas relações com Arthur, mas um texto de um de seus poemas diz:

"O profeta João me chamou de Merlin
Mas os homens me conhecerão como Taliesin."

Não é um indício forte de que sejam o mesmo personagem, mesmo porque um dos poemas no Livro Negro de Carmarthen é o Ymddidam Myrddin a Taliesin (“O Diálogo de Merlin e Taliesin”). É um assunto vasto, mas as mitologias divergentes nos parecem indicar que são personagens distintos. Mas de todos os parceiros de Merlin, nenhum é mais importante do que o lendário Rei Arthur.

RAMO DE CARVALHO: GRUPO DE ESTUDOS SOBRE A ESPIRITUALIDADE CÉLTICA (DRUIDISMO/RECONSTRUCIONISMO)

Leia também: A Fuga Mágica - Cerridwen e Gwyon

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®


8 de dezembro de 2011

Arthur - Uma Epopéia Celta 01 - Merlin - HQ

Arthur - Uma Epopéia Celta é uma série de sete revistas. A HQ européia narra o início de uma das mais conhecidas sagas literárias, na versão dos franceses: David Chauvel no roteiro e Jerone Lereculey na belíssima arte. Na primeira parte intitulada Merlin, o Louco, o personagem escolhido é tão importante quanto o próprio Rei Arthur, durante o ciclo arthuriano.


"A história mostra que as terras foram divididas na guerra entre pictos, bretões e saxões, repletas de traições e batalhas sangrentas, onde nasce um misterioso menino de nome Merlin. Diferente das demais, a criança tem misteriosos conhecimentos sobre todos os fatos e pessoas, cresce mais rapidamente que os outros humanos e se torna conselheiro de guerreiros poderosos. No decorrer da vida encontra a sabedoria, o poder, o amor, a loucura e um amigo chamado Taliesin. Além do mito de Cerridwen e Gwyon." Para ler ou baixar o arquivo, clique aqui.

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween /|\


17 de novembro de 2011

Meditação dos Três Caldeirões

A meditação é fundamental ao autoconhecimento, o aprofundamento no caminho druídico e o contato com o divino, para alcançarmos o equilíbrio físico, mental e espiritual. As duas grandes religiões orientais, o hinduísmo e o budismo, também de origem indo-européia, que além da ideologia tripartida, utilizavam a meditação em suas práticas diárias.

Leia, no site Templo de Avalon, a meditação que fizemos durante o II Encontro de Druidismo e RC, baseada nas vivências de Ian Corrigan - Arquedruida e líder da ordem druídica ADF, clicando aqui.



Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


5 de novembro de 2011

II Encontro de Druidismo e RC - Cotia/SP

"Como no primeiro encontro em Florianópolis, iremos reunir praticantes e estudiosos de diversas partes do país e de diferentes tradições. Será um momento para aprofundarmos nossos laços e conhecimentos. O encontro tem por finalidade a participação e o envolvimento de todos, sendo assim, os participantes poderão oferecer idéias de atividades para aprimorar ainda mais este evento." Vagas limitadas!

Dias: 12 a 14 de novembro no Núcleo de Vivências Filhos da Terra.


Programação Completa - Horário das Palestras:

SÁBADO - 12/11

12h às 15h - recepção e acomodação
15h - Abertura do Evento / Conexão com os Espíritos Árvores - Marcos Reis (São Paulo, SP)
16h30 - Símbolos: imagens usadas por druidas modernos - JP Bach (Florianópolis, SC)
17h30 - INTERVALO
17h45 - Roda de debates: O Greenman e o primo Curupira - João Uberti (São Paulo, SP)
19h - JANTAR
20h - Bênção de Abertura (Cerimônia) - membros dos grupos organizadores
21h - Danças Escocesas: celebrando a tribo - Andréa Éire e Simão Proença (São Paulo, SP)

DOMINGO - 13/11

10h - A Lei Céltica - noções introdutórias - Bellovesos (Porto Alegre, RS)
11h - INTERVALO
11h15 - Oráculos: onde os caminhos do Bardo e do Ovate se encontram - Juliana Couto (São Paulo, SP)
12h15 - Meditação sobre a Triplicidade dos Mundos - Rowena Arnehoy Seneween (Itapetininga, SP)
13h30 - ALMOÇO
14h30 - A COMBINAR
15h30 - A inspiração celta no conven da Onça Parda - Joanna Doarco (Jundiaí, SP)
16h30 - INTERVALO
16h45 - A transcendência da Awen, a Inspiração Druídica nas religiões Afro-Brasileiras - Fernando Luis Pereira “Lobo” (Guarulhos, SP)
17h45 - Mesa redonda: tema a confirmar
19h - JANTAR
20h - Danças Circulares Sagradas: das terras célticas à Hy Brasil - Mayra Faro “Darona ní Brighid” (Belém, PA)
21h30 - Corpo Presente na Contação de Histórias - Rafael de Aquino Cunha (São Paulo, SP)

SEGUNDA - 14/11

10h - Combate com Espada: prática para o caminho do guerreiro - JP Bach (Florianópolis, SC)
11h - INTERVALO
11h15 - Arte Celta: de Hallstatt às abordagens contemporâneas - Marcela Badolatto (São Paulo, SP)
12h15 - Aprofundando a Hipótese Gaia: uma ecologia druídica para a ação - Gabriel Martone (Ribeirão Preto, SP)
13h30 - ALMOÇO
14h30 - OBOD no Brasil - Ëldrich Hazel Ybyrapytã (Hortolândia, SP)
15h30 - Oráculo: Espelho do Destino - Bellovesos (Porto Alegre, RS)
16h30 - INTERVALO
16h45 - Jornadas Visionárias no Mundo Celta: através dos reinos - Wallace William (São Paulo, SP)
17h45 - Rito intergrupos e encerramento

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar... Nos encontramos lá!

Conheça Rowena A. Seneween e Marcos Reis, clicando aqui.


31 de outubro de 2011

As Bênçãos dos Fogos

"Encontramos-nos cheios do poder dos Deuses e agora vamos trabalhar a magia dos Fogos de Beltane, para trazer-nos sorte no próximo verão. Que os fogos purifiquem nossos corpos, mentes e espíritos, auxiliando-nos a cultivar a paixão e a mantermos sempre uma atitude positiva perante a vida."

Acenda duas velas brancas em castiçais, que serão colocadas na entrada do Bosque Sagrado e diga:

"Na presença dos poderosos, que os fogos da magia,
Aumentem à medida que o calor do sol do verão aumentar
Dando-nos força, luz e sabedoria!
Antes de deixarmos o Bosque Sagrado,
Passaremos entre os dois fogos da purificação.
E que eles possam queimar em nós
Os detritos acumulados no inverno,
Renovando-nos a alma e o coração!"

Feito isso, cada participante passará por entre os fogos, permanecendo em pé por alguns minutos entre as chamas, visualizando que elas crescem até o alto de sua cabeça, promovendo a purificação.

Em seguida finalize o seu ritual.

"Assim como iniciamos, terminaremos esse rito... É tempo de partir e retornar ao Outro Mundo. Agradecemos às bênçãos do fogo, às três famílias - aos Deuses, aos antepassados e aos espíritos da natureza - que junto ao Sídhe protegeram-nos em nossa jornada, assim como à Mãe Terra que nos apoiou. Pelos reinos do Céu, da Terra e do Mar, os portais do Outro Mundo agora serão fechados... Slán!"

Veja o ritual completo em: Sugestão para celebrar Beltane

Pelas bênçãos dos Deuses e dos não-deuses... Fàilte, Lá Bealtaine!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


30 de setembro de 2011

Dia duit, queridos amigos do Templo!

Em ritmo de comemoração... Sláinte!

Compartilhamos que no dia 29/09/2011, o site Templo de Avalon : Caer Siddi completou cinco anos de existência!

E é com imensa satisfação que convidamos você para comemorar conosco, apreciando o novo visual do site, especialmente criado para marcar a ocasião.

Morrighan é a força guerreira que nos orienta nesta jornada e Brighid, a abençoada inspiração que, em Agosto de 2011, deu origem ao Grupo Caer Siddi e vem nos inspirando à novos projetos.

Agradecemos os amigos e visitantes, que caminham ao nosso lado e nos estimulam a melhorar cada dia mais... Nossa sincera gratidão!



Fáilte, beannacht na deithe ort!


30 de agosto de 2011

As Lendas Irlandesas

"Muitas lendas irlandesas provêm de uma cultura que remonta aos tempos pré-cristãos, cultura essa que se manteve praticamente intacta devido ao fato dos romanos nunca terem chegado a instalar-se na Irlanda e, consequentemente, o idioma ali falado não ter sido afetado pelo latim. Também houve uma forte tradição oral e a existência de várias escolas druídicas que permitiram passar, de geração em geração, ensinamentos e conhecimentos dessa cultura.

Quando, a partir do século V, o cristianismo chegou à ilha, os copistas registraram também as antigas histórias irlandesas que foram divididas em quatro diferentes grupos ou ciclos: o Ciclo Mitológico, o Ciclo do Ulster, o Ciclo Feniano e o Ciclo Histórico ou dos Reis.

O Ciclo Mitológico (pré-cristão) conta a história de um povo de Deuses chamado Tuatha de Danann, que combateu e venceu outro povo, os Fomorianos, que viviam nas ilhas que rodeavam a Irlanda. Posteriormente, os Milesianos - os antepassados diretos dos atuais irlandeses - derrotaram os Dananns, que se refugiaram no mundo subterrâneo (o Sídhe).

As histórias do Ciclo do Ulster (norte da Irlanda), da era cristã, têm a ver principalmente com o rei Conor McNeasa e os seus valorosos Cavaleiros do Ramo Vermelho, sendo que o mais famoso deles é CuCulainn.

O Ciclo Feniano ou de Fianna, é posterior aos Cavaleiros do Ramo Vermelho, cerca de três séculos, e conta a história de um grupo de guerreiros de elite que andava por toda a Irlanda.

E, finalmente, o Ciclo Histórico ou dos Reis, trata dos Grandes Reis de Tara, na região central irlandesa de Conny Meath, prolongando-se no tempo até cerca do ano 1000 d.C." Por Brendan O’Dwyer.

Leia também em: Visão geral sobre os mitos celtas

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


3 de agosto de 2011

Bríg e a Maldição dos Campos de Batalha

A Senhora do fogo, da cura e da poesia, possui um lado sombrio... Sua força ancestral é tão forte quanto as demais Deusas da terra e da guerra.


Ao contrário do que muitos pensam Brighid também é uma Deusa guerreira, conhecida como "Bríg Ambue", a protetora soberana dos Fianna - exército de guerreiros criado para proteger os reis da Irlanda, formado por membros de diversas tribos, durante o Ciclo Feniano.

Brighid inspirou os bardos a compor e cantar maldições cantadas ou em forma de sátiras, chamadas de "Bríocht Cáinte", conforme a tradução do dicionário gaélico elaborado por Seán Ó Tuathail.

Bríocht: é um feitiço ou maldição utilizada, principalmente, para a proteção nos campos de batalha. Pode ser escrito "bricht" ou "breacht".

Cáinte: é uma sátira ou uma composição poética jocosa de intuito destrutivo.

Há vários mitos e lendas celtas que estão centrados na comunhão com os Deuses, através da inspiração poética tal como o "Awen" para os galeses e o "Imbas" para os irlandeses, um frenesi conhecido como "fogo na cabeça", promovido por estados alterados da consciência.

A "Bríocht Cáinte" é a forma mais temida de maldição de toda a Irlanda, inspirada pela Deusa Brighid. Estas maldições, normalmente, são acompanhadas pelo bodhrán (tambor irlandês) ou o bater de palmas, direcionadas para alguém que não agiu corretamente ou cumpriu os costumes relacionados com a honra e a verdade.

Para calar o inimigo...

Eu sou o medo do traidor
Eu sou a força da espada
Eu sou o sangue que corre nas veias
Eu sou a morte do caluniador

Eu sou a Cáinte, que lança
Maldições e cantos aos adversários
Por Bríg Ambue, a portadora da esperança.

Que assim seja!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Todos os direitos reservados.

Este artigo foi inspirado nos textos de Erynn Rowan Laurie. Iniciando, assim, mais uma jornada por este incrível mundo celta e todo o seu simbolismo mágico... Fáilte!

Fonte: Bríg e a Maldição dos Campos de Batalha


27 de julho de 2011

A Cruz Solar

A cruz solar ou a roda solar dentro de um círculo, foi considerada como um símbolo sagrado que representava o Sol desde os tempos pré-cristãos. Os antigos viam o tempo como uma roda, um círculo sem começo e nem fim. O círculo e a cruz são símbolos universais de antigas culturas, encontrados no mundo todo.

Para os celtas o círculo significa o infinito e a cruz, ao se estender para os lados, simboliza os Quatro Grandes Festivais Celtas: Samhain, Imbolc, Beltane e Lughnasadh.

No folclore irlandês a Cruz Solar é associada à Brighid.

A cruz e outros símbolos indo-europeus, assim como os nós celtas (entrelaçamentos), podem ser encontrados em peças de uso pessoal e até mesmo em armas de guerra, possivelmente com o propósito de se obter boa sorte, proteção e vitória.

Os celtas acreditavam que o centro da roda era o local, onde o céu e a terra se encontram, ou seja, o lugar onde a alma poderia alcançar a total iluminação... A eterna conexão entre os mundos!

Leia também: Sugestão para celebrar Imbolc

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.



2 de julho de 2011

As Espirais Celtas

As espirais celtas são encontradas em vários artefatos e construções antigas, o seu significado reside na beleza e na simplicidade dos seus traços. Geralmente, representam o equilíbrio do universo dentro de nós, ou seja, o equilíbrio espiritual interior e a consciência exterior.

Newgrange no Condado de Meath, Irlanda.
Os antigos túmulos megalíticos de Newgrange, Knowth, Dowth, Fourknocks, Loughcrew e Tara, na Irlanda, são exemplos maravilhosos de espirais, anterior aos celtas, conhecidos como "As Espirais da Vida" e que representam o ciclo da vida, da morte e do renascimento. Elas formam um padrão que começa pelo centro e se deslocam para fora ou para dentro, conforme a sua configuração. Os símbolos celtas, geralmente, são formados por espirais simples, duplas e triplas.

- Espirais Simples: As espirais em sentido horário representam o sol de verão (a expansão) e no sentido anti-horário o sol de inverno (a proteção). Representam os solstícios.

- Espirais Duplas: As espirais duplas representam, o equilíbrio, através dos equinócios da primavera e do outono.

- Espirais Triplas: As espirais triplas representam a união dos Três Reinos Celtas: Céu, Terra e Mar.

Os movimentos podem ser no sentido horário ou anti-horário.

As espirais com movimentos no sentido horário estão associadas ao Sol e à harmonia com a Terra ou movimentos que representam à expansão e à atração, em relação ao centro. Por outro lado, as espirais com movimentos no sentido anti-horário estão associadas à manipulação da natureza e aos encantamentos que visam à interiorização e à transmutação de energias, assim como a proteção.

Os símbolos indo-europeus são inspirações sagradas que ampliam a consciência, despertando sutilmente nosso interesse ancestral por essa misteriosa cultura, além de nos possibilitar acessar um mundo repleto de novas experiências. Enfim, as espirais da vida são movimentos que representam a criação e a eternidade da alma!

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.



23 de junho de 2011

Breve Definição do Mito

Os mitos são histórias universais e atemporais que de certa forma, refletem e moldam nossas vidas - exploram os desejos, os medos, os anseios e fornecem narrativas que nos lembram qual é o significado da vida - através das suas simbologias.

Os contos e os mitos do mundo céltico são crenças antigas que estão graficamente preservadas em vários textos ou manuscritos, que vão desde o irlandês "Lebor Gabála Érenn - O Livro das Conquistas" ao Mabinogion - coletânea escrita em prosa, no galês medieval - baseado nas tradições dos primeiros contadores de histórias, conhecidos como bardos, na tradição druídica.

As histórias serviam como elemento de educação para os jovens da nobreza céltica, pois seus personagens heróicos forneciam um modelo de comportamento guerreiro, próprio para juventude da época. Contudo, os mitos também forneciam representações lendárias de personagens reais, tão marcantes que foram preservados tanto na poesia bárdica como na memória popular.

"Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estarmos vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de viver. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos. Os mitos nos ensinam que você pode se voltar para dentro de si para captar a mensagem dos símbolos." Joseph Campbel.

Leia mais em: Os Contos e os Mitos Celtas

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®


18 de junho de 2011

Início da Jornada

Vivenciar a luz e a sombra dentro de nós é conectar-se à unidade, que caminha sempre em perfeita harmonia. Esse é o começo da jornada pelas terras célticas de Avalon. Um caminho iniciático que intuitivamente segue os passos druídicos de outros tempos.

Iniciático significa iniciar-se em algo, havendo apenas o comprometimento pessoal e individual com os Deuses e o próprio caminho, que nos levará a um nível de vida mais elevado e muito mais intenso. Além de aprimorar-nos, constantemente, rumo ao conhecimento ancestral e histórico, pois ao revisarmos o passado, melhor iremos aprender a entender o nosso presente.

Muitos são os que percorreram o caminho iniciático em busca deste conhecimento, de forma errônea e egoística, esquecendo-se que a vida por si só é uma eterna iniciação.

As iniciações druídicas são ligações entre o mundo profano e o mundo divino - mundos que caminham juntos e jamais separados - que novamente nos enviam aos portais do Outro Mundo, o paraíso celta. Atravessar esse portal só depende de encontrarmos o ponto de contato entre estes dois mundos.

A natureza nos proporciona essa comunhão natural, mostrando-nos o caminho da evolução e, por conseguinte, o caminho da iniciação.

Entretanto, nenhum ritual ou iniciação pode ser dado ao ser humano, se ele não estiver desprovido do egoísmo e do apego. Ao nos livrarmos desses sentimentos, deixaremos de criar expectativas em relação ao outro e, principalmente, a nós mesmos, criando uma atmosfera altruísta de muita paz interior.

Essa atmosfera produz a energia necessária para vivermos em sintonia com toda a natureza, através da essência do Druidismo, uma religião centrada na força da terra, que honra os espíritos da natureza, seus ancestrais, os Deuses, o planeta e acima de tudo, respeita todos os seres viventes. Que assim seja!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.




28 de maio de 2011

O Caminho Druídico

Em 1717 ocorreu o "Renascimento Druídico" na sociedade inglesa, focado, principalmente, em temas ocultos. O Druidismo, por sua vez, foi uma fonte bem interessante para se tentar conciliar o paganismo ao cristianismo – mera ilusão, pois esses são caminhos totalmente diferentes. Resumindo, houve uma grande mistura de ordens e princípios religiosos, conforme os interesses da época.

Em 1781, surgiu a Ancient Order of Druids, uma ordem que apostava na mesma fórmula: druidismo, cristianismo, ocultismo, hinduísmo e até mesmo as tradições egípcias. Seu fundador, Henry Hurle, inspirou-se profundamente na Maçonaria escocesa para desenvolver a AOD - Ancient Order of Druids.

"Na esteira destes acontecimentos surge, então, a figura exótica de Edward Willians, também conhecido como Iolo Morgannwg, que anuncia o descobrimento do um manuscrito apócrifo medieval (o Barddas) e outros documentos até mais antigos, onde estariam prescritos todo o conhecimento druídico, suas cerimônias e etc.

Não tardou para que, em 1819, Edward Willian com base nestas "descobertas", criasse a associação National Eisteddffod, do País de Gales, que ganhou um grande prestígio, reunindo grande número de membros da alta sociedade que, devidamente "vestidos como druidas", buscavam reviver os antigos rituais druídicos em Stonehenge.

Muitas "ordens druídicas" foram criadas dali em diante, com dissidência ao grupo de Edward, principalmente, em virtude dos regionalismos, o que fez difundir o Druidismo para Escócia, Irlanda, Inglaterra, entre outros países."

Com isso, o Druidismo parecia ressurgir magicamente das cinzas depois de séculos a fio, só que os tais manuscritos de Edward Willian (Iolo Morgannwg), na verdade, eram uma grande fraude.

Uma coisa é certa, sabe-se que ele realmente pesquisou a fundo sobre os mitos e as lendas celtas, mas, quando não encontrava a informação desejada, não hesitava em criar uma nova versão dos fatos, baseada em suas verdades. Enfim, farsante ou não, Edward Willian, foi uma figura muito relevante para o renascimento do Druidismo e dos druidas.

Druidas eram homens e mulheres, termo usado para se referir as pessoas que praticavam o Druidismo, independente do gênero e qualquer pessoa podia se dedicar ao caminho druídico.

Nos dias atuais, os druidas modernos praticam uma religião pagã, politeísta e totalmente animista, visando práticas de magia natural e dos ritos celtas pré-cristãos, voltados à celebração da natureza, em total sintonia à nossa ancestralidade e ao local onde vivemos.

Artigo do Templo: O Caminho Druídico

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®


22 de maio de 2011

O Druidismo em Paranapiacaba 2011

Durante os dias 14 e 15 de maio de 2011, tivemos o prazer e privilégio de estar em um evento mágico, rumo à Jornada da Alma - tema da VII Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba - São Paulo - promovido por Tânia Gori e amigos.

Logo após a palestra, sobre "Espiritualidade Celta e a Triplicidade dos Mundos", fizemos uma vivência xamânica em conexão às raízes da nossa terra e à ancestralidade celta. E nos reencontraremos no "II Encontro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta", que acontecerá nos dias 12 a 14 de novembro, no Núcleo de Vivências Filhos da Terra em Cotia, São Paulo.

Leia mais a respeito, clicando aqui.


"Os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana." Joseph Campbell.

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®


10 de maio de 2011

A Jornada da Alma

8º Convenção de Bruxas e Magos
Paranapiacaba - São Paulo
Dias 13, 14 e 15 de maio de 2011


Palestrante: Rowena Arnehoy Seneween
Data:15/05 - Domingo às 12:00hs
Local: Casa Amarela

:: Espiritualidade Celta Reconstrucionista
e a Triplicidade dos Mundos

Descrição: Resgatar a espiritualidade celta, voltada aos dias atuais, visando um contexto cultural, linguístico e religioso, reconstituindo as culturas celtas, através do estudo histórico, antropológico e arqueológico, além de vivenciar os Três Mundos no cotidiano.

O Mundo Celta

O simbolismo mágico e de poder do número três era comum aos povos celtas, pois representava os ciclos de vida, morte e renascimento. Há vários mitos celtas onde poderemos observar a sua presença, tanto na iconografia histórica como na religiosa, descrita de forma clara e precisa, relacionando-o aos Deuses.

Essa triplicidade, considerada sagrada para eles, está perfeitamente elucidada nos três reinos: Céu, Terra e Mar. Elementos que compunham todo o seu Universo e simbolizam as três esferas do nosso ser: corpo, mente e espírito. E, que por sua vez, eram vistos da seguinte maneira:

- O Céu, que está sobre nossa cabeça e nos oferece o Sol, a Lua, as estrelas e as chuvas que fertilizam o solo.

- A Terra, que está sob nossos pés e nos dá o alimento, nos abriga e faz tudo crescer - são as raízes fortes das árvores.

- O Mar é a água que está em nós, representa o Portal para o Outro Mundo, que sacia a sede e nos dá a vida.

Esses três elementos são interdependentes e cada um possui seu próprio significado, mas que dependem um do outro para continuar existindo, permitido assim, que o nosso mundo também exista em perfeita interação. Essa cosmologia não-dualista é bem diferente dos quatros elementos e da visão grega de "céu e inferno", pois os celtas viam tudo na forma de tríades.

Evento: Promovido pela "Casa de Bruxa" de Tânia Gori.

O convite de entrada para o evento poderá ser adquirido até sexta feira, dia 13 de maio, às 17:00hs, na Casa de Bruxa e, no local, nos dias 14 e 15 de maio, em Paranapiacaba. O convite é válido para os 2 dias, dando acesso às palestras e algumas oficinas.

Informações sobre o local e como chegar, clique aqui.

Nos encontramos lá... Beijos e muitas bênçãos!

Rowena Arnehoy Seneween ®


27 de abril de 2011

O Reino de Samhain

Samhain, literalmente, significa o fim do verão, marcando também quase todos os eventos épicos ou míticos da Irlanda. Na realidade, ele demarca a mudança do ano celta, onde a parte clara do ano, representada por Beltane, completa-se na parte escura de Samhain.

O Reino de Samhain é o reino das sombras, onde o clima, geralmente, se torna mais sombrio nesta época do ano. Os ventos gélidos que sopram do mundo dos mortos, nas longas noites de inverno, são propícias às reuniões e banquetes em família.

Um bom exemplo do mito acontece na "Segunda Batalha de Moytura", quando Dagda tem um encontro mágico com Morrighan, a Deusa Soberana da Terra e da Guerra, na qual ela prevê a vitória dos Tuatha Dé Danann sobre os Fomorianos.

Este é um momento de transição entre dois mundos, um tempo de honrar e relembrar aqueles que partiram.

E por essa força ancestral, eu agradeço a minha parte...

Celebrando os Deuses, a beleza e o poder da natureza, as mudanças sazonais e o equilíbrio da escuridão e da luz. Que assim seja!

Leia também: A Noite Sagrada de Samhain

Fáilte, Samhain!

Rowena Arnehoy Seneween ®


8 de abril de 2011

Os Três Caldeirões

Há um outro estudo baseado num antigo poema irlandês, atribuído a Amergin, preservado em um manuscrito do século XVI, chamado de "O Caldeirão da Poesia" que relaciona a poesia ao que está sendo gerado em três caldeirões internos do homem.

Posição normal         Posição oblíqua        Posição invertida

Uma visão do macrocosmo refletida no microcosmo individual. Este estudo também está presente nos princípios da organização Imbas - Reconstrucionismo Celta - RC. Site: www.imbas.org

A partir deste princípio, os caldeirões estão relacionados a nove elementos ou virtudes essenciais ao homem, conhecidos como "dúile ou dhúile " - o número nove é sinônimo de plenitude para os celtas - que, por sua vez, estão interligados ao Cosmos e à natureza, facilitando a manifestação do divino.

Todo esse conhecimento está oculto na linguagem dos poetas. Cada caldeirão possui três, das nove virtudes, que podem ser ativadas através da meditação e da respiração, fazendo parte das práticas diárias de conexão aos Três Reinos. A alegria ou a tristeza são as responsáveis pelo movimento deles, simbolicamente, o caldeirão "confere o que é concedido", àqueles que buscam sabedoria para os trabalhos de magia, adivinhações ou cura.

Um tema bem interessante, que iremos conversar durante a jornada!

"As três velas que iluminam toda a escuridão: a Verdade, a Natureza e o Conhecimento." Tríade irlandesa.

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.



4 de abril de 2011

Iluminação Poética

Amergin era considerado um "Ollamh", título que literalmente significa "Mestre". Cada tuath ou tribo celta tinha seu próprio Ollamh, tido como o maior e o melhor Druida local. Amergin é filho de Mil, chefe dos Milesianos que lutou contra os Tuatha Dé Danann, descrito no "Lebor Gabála Érenn" - O Livro das Invasões.


Há vários poemas atribuídos a ele, que sugerem um trabalho interior para se alcançar o caminho da iluminação, da realização poética e mágica. Um tema que nos inspira durante a jornada!

A Canção de Amergin

"Eu sou o vento sobre o mar.
Eu sou a onda do oceano
Eu sou o rugido das ondas,
Eu sou o poderoso boi de combate,
Eu sou o falcão no penhasco,
Eu sou a gota de orvalho no raio de Sol,
Eu sou o javali selvagem,
Eu sou o salmão da sabedoria,
Eu sou o lago da planície,
Eu sou a força da palavra,
Eu sou a lança certeira,
Eu sou o fogo que cria o pensamento.
Quem ilumina a pedra da montanha, se não eu?
Quem sabe o lugar no qual o pôr-do-sol se deita?
Quem conhece as idades da lua, se não eu?
Quem mostra o lugar de onde o sol vai descansar?
Quem chama o gado de volta para casa, se não eu?
Quem é o Deus da forma, da batalha e dos ventos?
Quem é que sabe o segredo do dólmen, se não eu?"



Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Crédito da imagem: Luca Tarlazzi


9 de março de 2011

Símbolos Celtas

Os símbolos são emblemas, sinais ou figuras que naturalmente evocam uma aura de mistério e magia. Muitos dos símbolos que hoje conhecemos, são traduções de sinais perdidos no tempo, baseados em suposições e analogias.

Apesar de todas as descobertas de arqueólogos e antropólogos, ainda é difícil saber realmente a diferença entre o fato e a ficção.

Os símbolos, assim como toda a cultura celta, eram sagrados e, por isso, transmitidos apenas através de rituais, contos, músicas e danças, jamais pela palavra escrita. Encontraremos vários simbolismos descritos nos mitos e nas lendas celtas, tanto em imagens como em peças de uso pessoal e até em armas de guerra.

Alguns registros escritos remanescentes destes povos que, culturalmente conhecemos como Celtas, são muito escassos e, na sua maioria, descritos por gregos e romanos durante a ascensão do Império Romano ou por monges copistas da Idade Média.

Portanto, observemos os símbolos celtas de forma simples, seguindo apenas a verdade escrita nas pedras e a intuição da alma. Os símbolos indo-europeus exercem um enorme fascínio sob o nosso subconsciente, revelando mistérios, por vezes adormecidos pelas brumas do tempo.

Leia mas: Símbolos Celtas - 1ª parte



Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®