30 de agosto de 2011

As Lendas Irlandesas

"Muitas lendas irlandesas provêm de uma cultura que remonta aos tempos pré-cristãos, cultura essa que se manteve praticamente intacta devido ao fato dos romanos nunca terem chegado a instalar-se na Irlanda e, consequentemente, o idioma ali falado não ter sido afetado pelo latim. Também houve uma forte tradição oral e a existência de várias escolas druídicas que permitiram passar, de geração em geração, ensinamentos e conhecimentos dessa cultura.

Quando, a partir do século V, o cristianismo chegou à ilha, os copistas registraram também as antigas histórias irlandesas que foram divididas em quatro diferentes grupos ou ciclos: o Ciclo Mitológico, o Ciclo do Ulster, o Ciclo Feniano e o Ciclo Histórico ou dos Reis.

O Ciclo Mitológico (pré-cristão) conta a história de um povo de Deuses chamado Tuatha de Danann, que combateu e venceu outro povo, os Fomorianos, que viviam nas ilhas que rodeavam a Irlanda. Posteriormente, os Milesianos - os antepassados diretos dos atuais irlandeses - derrotaram os Dananns, que se refugiaram no mundo subterrâneo (o Sídhe).

As histórias do Ciclo do Ulster (norte da Irlanda), da era cristã, têm a ver principalmente com o rei Conor McNeasa e os seus valorosos Cavaleiros do Ramo Vermelho, sendo que o mais famoso deles é CuCulainn.

O Ciclo Feniano ou de Fianna, é posterior aos Cavaleiros do Ramo Vermelho, cerca de três séculos, e conta a história de um grupo de guerreiros de elite que andava por toda a Irlanda.

E, finalmente, o Ciclo Histórico ou dos Reis, trata dos Grandes Reis de Tara, na região central irlandesa de Conny Meath, prolongando-se no tempo até cerca do ano 1000 d.C." Por Brendan O’Dwyer.

Leia também em: Visão geral sobre os mitos celtas

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


3 de agosto de 2011

Bríg e a Maldição dos Campos de Batalha

A Senhora do fogo, da cura e da poesia, possui um lado sombrio... Sua força ancestral é tão forte quanto as demais Deusas da terra e da guerra.


Ao contrário do que muitos pensam Brighid também é uma Deusa guerreira, conhecida como "Bríg Ambue", a protetora soberana dos Fianna - exército de guerreiros criado para proteger os reis da Irlanda, formado por membros de diversas tribos, durante o Ciclo Feniano.

Brighid inspirou os bardos a compor e cantar maldições cantadas ou em forma de sátiras, chamadas de "Bríocht Cáinte", conforme a tradução do dicionário gaélico elaborado por Seán Ó Tuathail.

Bríocht: é um feitiço ou maldição utilizada, principalmente, para a proteção nos campos de batalha. Pode ser escrito "bricht" ou "breacht".

Cáinte: é uma sátira ou uma composição poética jocosa de intuito destrutivo.

Há vários mitos e lendas celtas que estão centrados na comunhão com os Deuses, através da inspiração poética tal como o "Awen" para os galeses e o "Imbas" para os irlandeses, um frenesi conhecido como "fogo na cabeça", promovido por estados alterados da consciência.

A "Bríocht Cáinte" é a forma mais temida de maldição de toda a Irlanda, inspirada pela Deusa Brighid. Estas maldições, normalmente, são acompanhadas pelo bodhrán (tambor irlandês) ou o bater de palmas, direcionadas para alguém que não agiu corretamente ou cumpriu os costumes relacionados com a honra e a verdade.

Para calar o inimigo...

Eu sou o medo do traidor
Eu sou a força da espada
Eu sou o sangue que corre nas veias
Eu sou a morte do caluniador

Eu sou a Cáinte, que lança
Maldições e cantos aos adversários
Por Bríg Ambue, a portadora da esperança.

Que assim seja!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Todos os direitos reservados.

Este artigo foi inspirado nos textos de Erynn Rowan Laurie. Iniciando, assim, mais uma jornada por este incrível mundo celta e todo o seu simbolismo mágico... Fáilte!

Fonte: Bríg e a Maldição dos Campos de Batalha