22 de dezembro de 2012

Lealdade guerreira

Ações leais
Aventuras reais
Momentos insanos
Em busca de um novo ideal

Guerreiros destemidos
Sempre temidos
Simplesmente heróis
Que lutam com coragem e bravura

Espada reluzente
Lâmina pungente
Corte preciso
Aniquile todos os inimigos sem piedade

Rowena Arnehoy Seneween ®
Todos os direitos reservados.

Inspiração que flui do mundo tolkiano!


The Hobbit: An Unexpected Journey


21 de dezembro de 2012

Meditação para o Solstício

Sugestão de Endovelicon para meditar durante o Solstício:

Profecia de Morrighan

"Paz para o céu,
Céu para a terra,
Terra sob o céu.

A força entre nós,
Um copo bem cheio de mel,
Hidromel em abundância.

Verão no inverno,
Lança sobre escudo,
Escudo forte na mão.

Fortes lanças ferozes;
Um grito de guerra
Na terra dos carneiros.

Abundantes florestas
Montanhas para sempre,
Num recinto mágico.

Nozes em galhos,
Ramos pesados com frutas,
Riquezas para um filho talentoso.

Lombo forte do touro
Um touro para o poema
E um nó de uma árvore.

Lenha para o fogo, fogo da pedra.
Pedra da terra e riqueza das vacas
Do ventre de Boann.

Da névoa vem o grito da corça,
Um fluxo de veados após a primavera,
Cereais do outono, mantidos pela paz.

Uma banda de guerreiros para a terra,
Terra próspera atingindo à costa,
Envolta do promontório arborizado.

Águas correndo: "Que notícias você tem?"
Paz para o céu,
E vida eterna para terra. Paz!"

Original em gaélico: Sith co nemh, bid sír nae. Sith!

Feliz Solstício a todos! /|\

Rowena Arnehoy Seneween


1 de dezembro de 2012

Arte Céltica

Uma visita ao museu à sobrevivência da arte celta, através da apreciação dessa belíssima jarra da Idade do Ferro a cerca de 450 a.C.

Do original: Celtic Art The Courting of Contradiction de Alice Starmore
© 1994 - Traduzido por Luciana Cavalcanti em 2012.

A Jarra Basse Yutz

Foi desenterrada em Moselle-França e era feita para decorar a mesa de um chefe tribal na primeira metade do século 4 A.C.


Suas incrustações em bronze coral e esmalte são perfeitas; enquanto seu desenho geral atesta a influência cultural obtida no comércio de vinho no Mediterrâneo, o mesmo não pode ser dito da ornamentação.

E no bico de cada jarro nada um robusto e inocente patinho, felizmente, é óbvio, para os três carnívoros à espreita, que parecem emergir de um estilizado pesadelo.

Leia mais, clicando aqui.

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween


22 de novembro de 2012

Uma homenagem ao III EBDRC

Uma singela homenagem do grupo Caer Siddi ao III Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, edição 2012.

"O EBDRC tem um caráter único entre os vários eventos pagãos do Brasil: por ser voltado a apenas um ramo do paganismo (o Druidismo e o Reconstrucionismo são ambos facetas da mesma espiritualidade céltica), os participantes possuem uma convivência, seja física ou virtual, extremamente ativa. Trocamos artigos, recomendamos o trabalho uns dos outros e, principalmente, interagimos como parceiros e amigos. Isso faz com que o Encontro seja sempre uma reunião de amigos, de parceiros e velhos camaradas; também por ter essa abordagem mais específica, suas dimensões são menores, o que aumenta o clima intimista dentro do evento. Isso tudo ajuda a tornar o evento especial e tão prazeroso de frequentar." Por Wallace Willian de Souza do Grupo Ramo de Carvalho - São Paulo.

Leia mais: Homenagem ao III EBDRC

Rowena Arnehoy Seneween
Gratidão e até o próximo IV EBDRC - 2013!


14 de novembro de 2012

A linguagem corporal na visão celta

"O corpo está na alma e esse reconhecimento dá a ele uma dignidade sagrada e mística." Na espiritualidade celta encontraremos uma nova ponte entre o visível e o invisível, que pode se expressada na dança, na música ou na poesia. Uma perspectiva baseada em "Anam Cara - O livro de sabedoria Celta" de John O'Donohue, que descreve de forma poética a relação de amizade entre o corpo físico e anímico.

A integração do homem com o Todo e o ambiente que o cerca; estão intimamente interligados, tal como um nó celta, pois os nossos sentidos são considerados portais para o divino. Assim como os "dúile" do corpo e como esses elementos integram-se ao nosso dia-a-dia.

"E no seu corpo existe uma presença física, luminosa e profunda. Muitas vezes, não ouvimos a voz do corpo. Suas vozes interiores comunicam as verdades da vida debaixo da superfície externa e rígida. Para os celtas há o mundo do visível e do invisível. Mas o corpo tem sido negligenciado.

A natureza é a primeira expressão da imaginação divina. Ela reflete o sentido mais íntimo da beleza Dele(es). A natureza é o próprio espelho da imaginação divina, mãe de toda a sensualidade e sabedoria, por isso é contrário ao espírito da ortodoxia exclusivamente em termos invisíveis.

Paradoxalmente, o poder da divindade e do espírito deriva dessa tensão entre o visível e o invisível. Tudo o que existe no mundo da alma aspira à forma nitidamente visível, é aí reside a sabedoria da natureza, da imaginação e da meditação."

Que assim seja!

Leia também: Meditação com os Elementos do Corpo

Rowena Arnehoy Seneween
III EBDRC - Nov/2012


30 de outubro de 2012

Beltane - Ceisiwr Serith

Tradução: Bellovesos Isarnos

A Estação
.....
Uma sensação de agouros enche o mundo céltico em Beltane, então. Há o desaparecimento do filho de Rhiannon e a grande garra através da janela no "Mabinogion". Há a adivinhação para ver se o clima do verão será bom e há os fogos de purificação que dão à festa o seu nome.

Beltane é um tempo de crise. Numa comunidade pastoral é o tempo em que os animais são removidos de seus abrigos de inverno para as pastagens de verão. Isso significa cruzar de áreas próximas dos povoados para áreas essencialmente selvagens. Numa comunidade agrícola, as plantações estão começando a crescer. Não mais protegidas sob o solo, e ainda não completamente crescidas, elas estão num estado vulnerável.

O perigo vem dos espíritos da terra que são Forasteiros. Não tendo sido trazidos para a comunidade (através de uma escolha sua ou nossa), pode-se esperar que eles tenham intenções opostas às nossas. Obtemos nossos ganhos às custas deles. Portanto, nós os propiciamos, fazendo as pazes com o caos antes de podermos construir nosso cosmos.

O Ritual

A principal finalidade deste ritual é pacificar os Forasteiros e obter seu consentimento para formarmos nossa civilização no seu meio. Uma vez que isso tenha sido feito, podemos confiantemente pedir às deidades domésticas que protejam nossos lares.

O rito da escolha do pedaço de pão marcado pode ter sido originalmente realizado para escolher uma vítima sacrificial. Nos tempos históricos, o escolhido era purificado pelo fogo, um representante da comunidade. Na purificação, somos todos purificados da influência malfazeja do inverno.

Ele deve primeiramente fazer o trabalho da comunidade. É enviado ao desconhecido, levando uma oferenda aos Forasteiros. Embora os Deuses o tenham escolhido, ainda existe uma certa incerteza no tocante à aceitação da oferenda. Mesmo que ele retorne com sucesso, deve ser purificado antes de ser readmitido - ele se tornou sagrado e, por ter chegado tão perto dos Forasteiros, pode ter adquirido algo de sua influência.

Finalmente, no encerramento, cada participante é purificado individualmente na fumaça dos fogos.

Elementos

Um pão num prato
Um pano para cobrir o pão
Uma faca para cortar o pão
Uma tigela de cevada
Uma tigela de oferendas

Celebrantes: Dois sacerdotes (Druida 1 e Druida 2) e Adivinho.

A Prece de Abertura

Druida 1: Estamos aqui para honrar os Deuses!

Druida 2: Reunímo-nos neste dia sagrado
Para celebrar a festa de Beltane,
Para chamar a estação do verão,
Para ganhar do caos um momento de paz
Para que possamos obter nossa colheita.

Apaziguando os Forasteiros

Druida 1: O tempo do descanso terminou,
E o tempo do plantio chegou.
Tiramos nossos campos das terras não demarcadas,
Medindo nosso mundo em seu interior
Para no meio dos que lá habitam, além das fronteiras.

Druida 2: Fazemos uma oferenda, então,
Para abrandar, apaziguar e agradar os Forasteiros,
E deles ganhar o consentimento relutante
Para formarmos nosso mundo como uma ilha,
Nossos lares, nossa cultura, nosso povo, nossos campos,
Dentro do grande mar circundante.

O Druida 2: segura o pão e o apresenta aos demais. Recoloca-o no prato e faz uma marca no lado de baixo. Ergue-o para mostrar a marca aos outros. Recoloca-o no prato e o corta, certificando-se de que a marca ficou em um só pedaço. Ele o gira três vezes, em sentido "deosil", dizendo o seguinte, uma linha a cada giro:

Faço este giro pelas bênçãos dos Grandes Deuses
Faço este giro pelas bênçãos dos Ancestrais Veneráveis
Faço este giro pelas bênçãos dos Espíritos da Natureza

O Adivinho escolhe alguém que não seja membro do Bosque e os dois vão até o pão. O Adivinho segura um pano cerca de 15 cm acima do pão e o estranho ao Bosque gira-o três vezes, em sentido "deosil", e depois volta ao seu lugar. O pano é abaixado sobre o pão e uma das crianças do Bosque adianta-se e gira o pão três vezes, em sentido "deosil". A criança volta a seu lugar. O Druida 2 então traz o pão coberto para perto do círculo e cada adulto pega um pedaço de sob o pano. Quando todos tiverem feito isso, aquele que tiver a peça marcada levanta-a. O canto cessa. O Druida 1 acena, chamando a si a pessoa marcada. O Druida 1 e o Druida 2 erguem suas mãos em benção sobre ele e dizem:

Druida 2: Ao irdes além dos limites do "nemeton",
Que as bênçãos dos Ancestrais estejam contigo.

Druida 1: Ao irdes além dos limites do "nemeton",
Que as bençãos das Deidades estejam contigo.

Druida 2: Ao irdes além dos limites do "nemeton",
Que as bênçãos dos Espíritos da Terra estejam contigo.
Todos erguem suas mãos em benção e dizem: Ao irdes além dos limites do "nemeton", possam as bênçãos das Três Famílias estar contigo e nossas bençãos também. O marcado vai ao portal e diz:

Àqueles além da fronteira,
Sejam Deuses ou Deusas,
Sejam Espíritos ou Mortos,
Àqueles que foram antes de nós
E habitam na escuridão da sombra de nosso mundo:
Venho a vós com uma oferenda
Para de vós adquirir um mundo de paz.

Ele sai pelo portal e faz a oferenda do seu pedaço de pão. Ao voltar, é encontrado no portal pelo Adivinho, que o asperge, dizendo:

Purificamos-te da influência dos Forasteiros.
Afastamos-te deles
Para que possas voltar ao nosso povo.

O Adivinho o conduz ao fogo, onde é encontrado pelo Druida 1 e pelo Druida 2. O Druida 2 lhe dá a cevada e o Druida 1 diz:

Oferta aos Sagrados

E torna-te outra vez parte do povo.

Depois de oferecer a cevada ao fogo, o Druida 2 diz:

Druida 2: Povo da tribo, circundai o "nemeton",
Criando sobre este que retornou o recinto sagrado.

Eles circulam em sentido "deosil" uma vez. A pessoa marcada então se reúne ao círculo ocupando a direita do Druida 1, que lhe passa uma tigela de oferendas.

As Oferendas

O Adivinho diz:
Com os Forasteiros pacificados, podemos fazer nossas oferendas.

Começando com o Druida 1 e seguindo em sentido "deosil", cada pessoa vai ao marcado e lhe dá um pouco do seu pedaço de pão, antes de ir ao fogo e colocar nele o resto. Ao fazer a oferenda, cada pessoa ora a sua deidade protetora para que defenda sua casa na estação que inicia, dizendo algo como:

A ....... e ....... , que guarda(m) minha casa,
Ofereço este pão.
Protege (protegei) minha casa, as pessoas e minhas posses,
A terra e tudo que nela está.

Quando chegar a vez do marcado, ele usará os pedaços de pão que os demais lhe deram como oferenda. Depois que ele o fizer, o Druida 2 diz:

Derramai sobre nós, ó Família, todas as vossas bênçãos,
Concedei-nos vossos dons,
Ofertai-nos, de braços abertos,
A abundância infinita de vosso poder
Sobre os campos e os animais...

Todos: Que as bênçãos caiam.
Druida 2: Sobre a lareira e o lar.
Todos: Que as bênçãos caiam.
Druida 2: Sobre a família e os amigos.
Todos: Que as bênçãos caiam.
Druida 2: Sobre todo o nosso mundo,
De fronteira a fronteira e sobre todos dentro delas.
Todos: Que as bênçãos caiam.
Druida 2: De agora a Samhain, sede nossa proteção.
Sustentai o mundo em que vivemos.
De tudo que poderia ferir-nos...
Todos: Protegei-nos, Família.
Druida 2: De tudo que poderia enfraquecer-nos...
Todos: Protegei-nos, Família.
Druida 2: De tudo que poderia prejudicar a nossa tribo...
Todos: Protegei-nos, Família.
Druida 2: Sobre tudo que possuímos
Sobre tudo que é nosso,
Sobre tudo que nos é caro
Todos: ...Que as bênçãos caiam sobre nós!

Os Caldeirões da Purificação

O Druida 2 acende um fogo em dois caldeirões que tenham sido colocados perto dos portais, transferindo a chama do fogo principal para eles. Ao fazê-lo, diz: Os fogos de Beltane são fogos de purificação.

Finalização

Druida 2: Ao deixarmos o "nemeton", passamos entre dois fogos.
Possam eles queimar os restos do inverno dentro de nós.
Deixamos a estação do interior,
Entramos no exterior.

[Bellovesos: na "Abertura", afirma-se a intenção do ritual. Na parte "Apaziguando os Forasteiros", a posição deles na ordem cósmica é reconhecida e a oferenda é feita como um sinal da boa-vontade da comunidade humana – e é a parte mais elaborada do rito. Depois disso, passa-se às oferendas ao fogo de Beltane propriamente ditas, aos pedidos de bênçãos e à purificação dos participantes no encerramento da celebração, quando todos passam entre os dois fogos.]

O pão utilizado no ritual é o "bannock", uma receita gaélica tradicional.

Leia também: Festival de Beltane

Rowena Arnehoy Seneween ®


18 de setembro de 2012

Oração

Uma meditação poética, uma poesia ao meditar...

A oração é a gratidão em ação!

Práticas de oração e devoção são essenciais à vida espiritual druídica. Recitadas em voz alta ou silenciosamente, a oração flui através de uma conversa sincera com os Deuses, que também pode ser aos ancestrais ou aos espíritos da terra, para agradecer as bênçãos do dia, o alimento sagrado ou a força para enfrentamos à jornada.

A vibração da palavra entoada, tal como um mantra, cria uma forte energia de comunhão com o divino, emitindo irradiações de amor e reciprocidade entre os mundos, ao ponto de despertar a consciência para a grandiosidade do cosmo em nós, tal como uma pedra ao ser atirada nas águas calmas de um lago, criando ondulações que vão aumentando gradativamente em torno do centro. Assim funciona a oração, ao romper as barreiras do imaginável.

A oração também pode ser direcionada aos Deuses patronos de afinidade, conforme nossas necessidades que mudam com o passar do tempo ou aos Deuses regentes da estação. As orações não precisam ser limitadas, cada um de nós é livre para criá-las, seja durante as práticas diárias ou nas celebrações do ano.

Geralmente, pensamos que orar é apenas um ato de pedir, mas isso acaba se tornando uma fé quase que infantil; basicamente em torno de uma troca ou barganha para com a divindade, algo muito comum nas religiões cristãs. Já no paganismo, a oração é vista como uma herança ancestral, que além de expressar o sentimento de gratidão, também nos ajuda a manter o equilíbrio físico, mental e espiritual. Além disso, podemos proferi-las em suas línguas de origem, mantendo a força da vibração da palavra original como acontece, por exemplo, no Budismo ou no Reconstrucionismo Celta, que busca resgatar as línguas celtas.

Particularmente, adoro o gaélico, apesar de ainda estar longe de conseguir recitar alguma oração completa nessa língua. Por enquanto, faço meus agradecimentos de forma espontânea e utilizo a oração Altú Págánach (Bênção Pagã), só que na versão traduzida:

"Na presença do meu povo,
Desde o começo da vida,
Na visão dos Deuses
E dos não-deuses,
Em homenagem à imensa
Generosidade do universo,
Eu agradeço a minha parte."

Que assim seja!

Fonte: 20° Dia Druídico: Oração

Rowena Arnehoy Seneween ®


23 de agosto de 2012

Simples assim!


O filme Brave (Valente) com a personagem Merida nos traz um pouco de encantamento ao dia. Talvez, seja esse o caminho que nos levará a realização de muitos sonhos. Quem saberá?

Escrevendo a nossa lenda pessoal... Sempre!

Rowena Arnehoy Seneween ®


2 de agosto de 2012

Confecção da Cruz de Brighid

Na Irlanda é comum fazê-las de palha de trigo ou junco. Para facilitar o manuseio dos ramos de trigo, deixe-os de molho em água gelada por volta de meia hora. Este antigo costume é derivado de uma cerimônia pré-cristã, relacionada com a preparação das sementes na primavera. Use galhos flexíveis e siga as instruções conforme a figura abaixo:


1. Divida os galhos em dois conjuntos, coloque-os um sobre o outro, perpendicularmente, exatamente no centro una as pontas do segundo galho. (Fig. 1)

2. Dobre e trance um novo galho que ficará paralelo ao primeiro. (Fig. 2)

3. Dobre e trance outro galho que ficará paralelo ao segundo. (Fig. 3)

4. Continue a dobrar e trançar os galhos virando-os no sentido horário. O centro da cruz irá apresentar uma tecedura de formato quadrado. (Fig. 4)

5. Use a quantidade de galhos que achar necessário, no final amarre as pontas para que o trançado não se desfaça.

6. O junco verde como o tempo irá desidratar-se, trance-os com firmeza.

Imbolc 2012 - Grupo Caer Siddi
À Brighid, Senhora dos Três Poderes: o Fogo, a Poesia e a Cura!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Extraído do livro Brumas do Tempo

Leia mais: Sugestão para celebrar Imbolc


18 de julho de 2012

A Colina de Tara

Finalmente, chegamos à ilha esmeralda!

Estávamos em pleno verão, onde os ventos cálidos sopravam em equilíbrio ao momento presente. Ao longe podíamos ver a colina de Tara, imponente e forte, tal como em seus altos dias de glória ao clamar o poder soberano da terra.


Quanto tempo levei para retornar a casa? Não ouso dizer.

O preço do regresso foi custoso e, por vezes, muito amargo, como nos alertara a Rainha, Mor Rioghain. Mas a vitória tinha o sabor do mais puro e doce mel, uma promessa de Brighid que, agora, regia os campos floridos e nos presenteava com a cura, o calor e sua brilhante poesia.

O zunido das abelhas era ensurdecedor. Sim, o Sídhe estava em festa!

Respirei profundamente e a prece de nossa tribo, fluiu na mente:

"No centro do bosque sagrado, com os poderes do Fogo e da Água, com as bênçãos dos Três Reinos: Céu, Terra e Mar... Agradecemos os Deuses, Ancestrais e Espíritos da Natureza... E partilhamos com a Mãe Terra: proteção, sabedoria e fertilidade. Que haja paz entre os mundos!"

Caminhei lentamente, absorvendo cada minuto daquela sensação que nos transporta aos mundos sutis da existência. Minha alma dançava livre e eu sabia que estava de volta.

Ao pisar o solo dos meus Deuses e não-deuses, saudei os quatro ventos:

"Saúdo o Vento Leste, a morada da prosperidade,
Onde sopra os ventos da abundância e da fertilidade.

Saúdo o Vento Sul, a morada da grande canção,
Onde sopra os ventos da poesia e da inspiração.

Saúdo o Vento Oeste, a morada da sabedoria ancestral,
Onde sopra os ventos de todo o conhecimento imortal.

Saúdo o Vento Norte, a morada da força adquirida,
Onde sopra os ventos da bravura e da batalha vencida.

Saúdo o Centro do Mundo, a morada da soberania,
Onde sopra os ventos da paz e da harmonia."

Bíodh sé... Que assim seja!

Ao dizer essas palavras, senti antigos seres caminhando ao meu redor, como embalando a minha jornada, faziam me lembrar do velho portal que atravessei nas terras de tribos irmãs, consagradas à Arianrhod. Com o ramo de prata na mão alcancei o galho de ouro e durante todos esses anos, foram eles os meus verdadeiros guias e mestres.

Guardiões silenciosos a iluminar o caminho através das brumas de Manannán, que se manifestam durante o percurso e preservam muitos segredos ainda não revelados, embevecidos na taça do saber.

Então, sentei debaixo de um frondoso carvalho e continuei a admirar a grande colina... Pensei, sim há mais, muito mais a percorrer!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Todos os direitos reservados.


2 de julho de 2012

Indicação de livros

"O conhecimento é a luz da verdade."

CULTURA CELTA:
- BARROS, Maria Nazareth A. de Barros. Uma Luz sobre Avallon. São Paulo: Ed. Mercuryo, 1994.
- BELLINGHAM, David. Introdução à Mitologia Céltica. Lisboa: Ed. Estampa, 1999.
- CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.
- CUNNINGHAM, Scott. Magia Natural - Rituais e Encantamentos da Tradição Mágica. São Paulo: Ed. Gaia, 1997.
- DAVIDSON, Hilda R. Ellis. Myths and Symbols in Pagan Europe: Early Scandinavian and Celtic Religions. New York: Syracuse University, 1988.
- GIDLOW, Christopher. O Reinado de Arthur: da História à Lenda. São Paulo: Ed. Madras, 2004.
- GREEN, Miranda Jane Aldhouse. Celtic Myths. London: University of Texas Press, 1995.
___________. Exploring the World of the Druids. London: Thames and Hudson, 1997.
- GUEST, Lady Charlotte. The Mabinogion [1887]. Santa Cruz: Evinity Publishing Inc., 2009.
- HAYWOOD, John. Os Celtas - Da Idade do bronze aos nossos dias. Lisboa: Ed. Edições 70, 2009.
- JUBAINVILLE, Henri-Marie D‘ Arbois. Os Druidas, Os Deuses Celtas com Formas de Animais. São Paulo: Ed.Madras, 2003.
- KONSTAM, Angus. Historical Atlas of the Celtic World. London: Mercury Books, 2001.
- MACCULLOCH, John Arnott. The Religion of the Ancient Celts. Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.
- MACKILLOP, James. Dictionary of Celtic Mythology. New York: Oxford University Press Inc., 2004.
- MARKALE, Jean. A Grande Epopéia dos Celtas. SP: Ed. Ésquilo, 1994.
- MAY, Pedro Pablo. Os Mitos Celtas. São Paulo: Ed. Angra, 2002.
- MATTHEWS Caitlín. O Livro Celta dos Mortos. SP: Ed. Madras, 2003.
- MONAGHAN, Patricia. The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folklore. New York: Facts on File Inc., 2004.
- O´DONOHUE, John. Anam Cara. New York: HarperCollins Publishers, 1997.
- PLACE, Robin. Os Celtas. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1989.
- POWELL, T. G. E. Os Celtas. Lisboa: Coleção Historia Mundi. Editorial Verbo, 1965.
- KONDRATIEV, Alexei - Rituales Celtas - Buenos Aires: Ed. Kier, 2001.
- RUTHERFORD, Ward. Os Druidas. São Paulo: Mercuryo, 1992.
- SQUIRE, Charles. Mitos e Lendas Celtas. São Paulo: Ed. Nova Era, 2003.

CULTURA NÓRDICA:
- DAVIDSON, Hilda R. Ellis. Deuses e Mitos do Norte da Europa. São Paulo: Ed. Madras, 2004.
POVOS DO PASSADO - Coleção Melhoramentos:
- Os Saxões
- Os Normandos
- Os Vikings
- O Cotidiano Europeu na Idade Média

VARIADOS:
- ADLER, Ruth e Beatriz. A Magia das Runas. São Paulo: Ed. Shabda, 1995.
- BOSTRÖM, Francisco. A Sabedoria das Pedras. São Paulo: Ed. Best Seller, 1994.
- DAVIDSON, Hilda R. Ellis. Myths and Symbols in Pagan Europe: Early Scandinavian and Celtic Religions. New York: Syracuse University Press, 1988.
- CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Ed. Cultrix Pensamento, 1997.
___________. O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.
- CUNNINGHAM, Scott. Magia Natural - Rituais e Encantamentos da Tradição Mágica. São Paulo: Ed. Gaia, 1997.
- ELIADE, Mircea. Mito do Eterno Retorno. São Paulo: Mercuryo, 1992.
- HARNER, Michael. O Caminho do Xamã. São Paulo: Ed.Cultrixs, 1990.
- MERSEY, Daniel. Guerreiros Lendários - Os Grandes Heróis da Mitologia e da História. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

FICÇÃO:
BRADLEY, Marion Zimmer. Brumas de Avalon - 4 Volumes.
___________ e Diana L. Paxson. Os Ancestrais de Avalon.
CORNWELL, Bernard. Stonehenge.
___________. O Rei do Inverno - As Crônicas de Artur Vol. 1.
___________. O Inimigo de Deus - As Crônicas de Artur Vol. 2.
___________. Excalibur - As Crônicas de Artur - Vol. 3.
TOLKIEN, J. R. R. O Hobbit.
___________. O Senhor dos Anéis I - A Sociedade do Anel.
___________. O Senhor dos Anéis II - As Duas Torres.
___________. O Senhor dos Anéis III - O Retorno do Rei.
___________. O Silmarillion.
___________. Os Filhos de Húrin

Leia também: Referências Bibliográficas

Rowena Arnehoy Seneween ®


4 de junho de 2012

Estudos do Ogham - 3RC

O nome das letras ogâmicas é "fid" (singular) e "feda" (plural) em irlandês antigo. No irlandês moderno são: "fiodh" e "feadha".

Encontram-se em grupos com séries de cinco letras cada, originalmente, e continham apenas as quatro primeiras séries. A quinta série "forfeda", tinha os primeiro cinco e depois mais seis letras de sons importados de outras línguas e que não existiam na língua irlandesa.

A linha central representa o tronco de uma árvore "flesc" e os traços, os galhos. Escrito na horizontal, em manuscritos, da esquerda para a direita e na vertical, em pedras, de baixo para cima (como se escalasse uma árvore); iniciados pelo símbolo "eite" (pena) e terminados com "eite thuathail" (pena invertida).

As palavras eram separadas por "spás" (espaço).


"No tempo de Bres, filho de Elatha rei da Irlanda, o Ogham foi inventado por Ogma, um homem bem qualificado no discurso e na poesia e foi à partir das árvores da floresta, que os nomes foram dados às letras do Ogham." - O Tratado do Ogham.

Vamos estudar e praticar cada vez mais o Ogham!

Leia mais em: Estudos do Ogham - Introdução

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.


11 de maio de 2012

O Ogham das Árvores Brasileiras

Publicado na lista Druidismo Brasil do Yahoo em 27/01/2008.

O que se segue é uma proposta de alfabeto ogâmico com árvores nativas do Brasil. Percorri nas últimas semanas (Nota: este texto é de 2005.) vários tratados de botânica, analisando a flora arbórea brasileira e escolhendo, de acordo com sua importância em cada região e qualidades paisagísticas, espécimes que formariam as famílias do Ogham brasileiro.

Tive, é claro, de fazer algumas alterações relativamente ao Ogham irlandês, as quais ora submeto à apreciação de todos.

Na terceira família de consoantes, a Raça do Mate (que no Ogham irlandês corresponderia a Aicme Muine, Raça da Vinha), substituí a consoante NG (ngéadal, o junco), pelo NH português, uma vez que o NG não teria utilidade em nosso idioma. Pelo mesmo motivo, substituí o ST (straif, o espinheiro-negro), pelo Z, o que não deve causar espécie, uma vez que o Z é uma das transliterações atribuídas a esse caractere.

Em relação à letra Z, tive de representá-la pelo zimbro (junípero) que, embora não pertença à flora nativa, está bem aclimatado no Brasil e é utilizado na medicina popular. A madeira e as bagas do zimbro em infusão, decocção ou óleo aplicam-se contra asma, bronquite, acidez, má digestão e hidropsia, tendo também valor diurético. Os antigos tratados de magia (como o Magus, de Francis Barrett), mencionam que as bagas do zimbro, misturadas ao tomilho, compõem um incenso que provoca visões. Nas terras célticas, era plantado junto às portas para desencorajar os ladrões e acreditava-se que suas bagas secas, enfiadas num cordel, tinham a capacidade de atrair o amor.

Considerando todas essas propriedades, penso que o zimbro possa ser bem recebido neste Ogham. E foi também esse o critério que me guiou ao eleger a romã (quantas vezes já a usei para aliviar uma inflamação da garganta?) para representar a letra R.

Mantive a letra H, ainda que seja muda em português, unicamente porque é necessária para compor o grupo LH. Isso unicamente porque não há, até onde sei, uma só árvore ou erva cujo nome em português comece com o som representado pelo LH. Escolhi a hortelã (menta), que também não é nativa do Brasil, para representar o H, por causa de sua difusão e amplo uso medicinal e culinário em todo o território nacional.

O Q é a quaresmeira. Deve ser utilizado para registrar apenas o som que se ouve em QUA-resmeira, fre-QUEN-te e e-QUI-no, ou seja, /KW/. Para o som que se ouve em QUE ou QUÍ-mica, usa-se o C, castanheira, que soa sempre como /K/, nunca como /S/.

No ogham irlandês, as Forfeda (Letras Adicionais) representam ditongos e sons consonantais. Usei esse grupo para representar sons consonantais que são importantes em português e que não são contemplados no Beth-Luis-Nion.

Raça do Bacuri,
B - bacuri
L – licuri
F – figueira-branca
S – sapucaia
N – naiá

Raça da Hortelã
H – hortelã
D – dima
T – tucumã
C – castanheira
Q – quaresmeira

Raça do Mate
M – mate
G – goiaba
Nh - nhacatirão
Z – zimbro
R – romã

Raça da Araucária
A – araucária
O – orabutã
U – urucum
E – embaúba
I –  ipê-amarelo

Letras Adicionais
Ch – chal-chal
Gü – nguaxupita
J – jacarandá
P – pitanga
V – varova

1. Raça do Bacuri

B - BACURI
Nome científico: Platonia insignis
Onde é encontrada: Região Amazônica e Nordeste do país, na floresta pluvial. Frequente no baixo Amazonas e Ilha do Marajó. Outros nomes: bakuri, bacuri-açu, bacurizeiro, bacuri-grande, landirana (BA).

L - LICURI
Nome científico: Syagrus coronata
Onde é encontrada: Pernambuco até o sul da Bahia, na mata pluvial atlântica. Outros nomes: aricuri, uricuri, nicuri, alicuri.

F - FIGUEIRA-BRANCA
Nome científico: Ficus guaranitica
Onde é encontrada: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e norte do Paraná, principalmente na floresta semidecídua da bacia do Paraná. Existem outras espécies de "ficus" denominadas popularmente de "figueira-branca", todas muito parecidas com essa. Outros nomes: figueira, figueira-brava, mata-pau, figueira-mata-pau.

S - SAPUCAIA
Nome científico: Lecythis pisonis
Onde é encontrada: Ceará até o Rio de Janeiro,na floresta pluvial atlântica. É particularmente freqüente no sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Outros nomes: castanha-sapucaia, sapucaia-vermelha, cumbuca-de-macaco, marmita-de-macaco, caçamba-do-mato.

N - NAIÁ
Nome científico: Attalea dubia
Onde é encontrada: Rio de Janeiro até Santa Catarina, na floresta pluvial da encosta e da planície atlântica.
Outros nomes: indaiá, palmeira-indaiá, coqueiro-indaiá, palimito-de-chão (RJ), indaiá-guaçu, inaiá, camarinha, anajá.

2. Raça da Hortelã

H - HORTELÃ
Nome científico: Mentha piperita
Onde é encontrada: não pertence à flora nativa.
Outros nomes: menta.

D - DIMA
Nome científico: Croton lanjowensis
Onde é encontrada: região amazônica, principalmente, no estado da Amazônia, na mata pluvial de terra firme. Outros nomes: dima-branca.

T - TUCUMÃ
Nome científico: Astrocaryum vulgare
Onde é encontrada: estado do Pará, na floresta amazônica de terra firme. Outros nomes: tucumã-do-pará.

C - CASTANHEIRA
Nome científico: Bertholletia excelsa
Onde é encontrada: em toda a região amazônica, incluindo os estados de Roraima, Acre e Amazônia. Outros nomes: castanha, castanha-do-pará, castanha-verdadeira, castanheiro, castanha-do-brasil, amendoeira-da-américa, castanha-mansa.

Q - QUARESMEIRA
Nome científico: Tibouchina granulosa
Onde é encontrada: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, principalmente na floresta pluvial da encosta atlântica. Existe uma variedade dessa espécie que produz flores róseas. Outros nomes: flor-de-quaresma, quaresmeira-roxa, quaresma.

3. Raça do Mate

M - MATE
Nome científico: Ilex paraguariensis
Onde é encontrado: Mato Grosso do Sul, São Paulo até o Rio Grande do Sul nas matas de altitude (400-800m). É particularmente freqüente na mata dos pinhais dos três estados sulinos. Outros nomes: erva-mate, erveira, congonha, erva, erva-verdadeira, erva-congonha.

G - GOIABA
Nome científico: Psidium guayava
Onde é encontrada: Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, na floresta pluvial atlântica. Ocorre também de maneira espontânea em quase todo o país. Outros nomes: guava, goiabeira, goiabeira-branca, goiaba-pera, goiaba-branca, goiaba-vermelha, araçá-goiaba, araçá-guaçu, guaiaba, guaiava, araçá-guaiaba.

NH - NHACATIRÃO
Nome científico: Miconia cinnamifolia
Onde é encontrada: Bahia até Santa Catarina, principalmente na floresta pluvial da encosta atlântica. Outros nomes: jacatirão, jacatirão-açu, jacatirão-de-copada, carvalho-vermelho, casca-de-arroz.

Z - ZIMBRO
Nome científico: Juniperus communis
Onde é encontrado: não pertence à flora nativa.
Outros nomes: junípero.

R - ROMÃ
Nome científico: Punica granatum
Onde é encontrada: não pertence à flora nativa.
Outros nomes: romãzeira.

4. Raça da Araucária

A - ARAUCÁRIA
Nome científico: Araucaria angustifolia, Bert.
Onde é encontrada: Minas Gerais e Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul em regiões de altitudes acima de 900m (no sul, acima de 500m). Outros nomes: parana-pine, curi, curiúva, pinheiro-do-paraná, pinheiro, pinho, cori, pinho-brasileiro, pinheiro-brasileiro, pinheiro-são-josé, pinheiro-macaco, pinheiro-caiová, pinheiro-das-missões.

O - ORABUTÃ
Nome científico: Caesalpinea echinata
Onde é encontrada: Ceará ao Rio de Janeiro, na floresta pluvial atlântica, sendo particularmente freqüente no sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Outros nomes: pau-brasil, ibirapitanga, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, ibirapitã, muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco.

U - URUCUM
Nome científico: Bixa orellana
Onde é encontrada: região amazônica até a Bahia, na floresta pluvial, geralmente ao longo de rios, largamente cultivada nas florestas pelos indígenas. Outros nomes: urucu, colorau, açafroa, açafroeira-da-terra.

E - EMBAÚBA
Nome científico: Cecropia glazioui
Onde é encontrada: encontradas na Mata Atlântica, em matas ciliares e bordas de capões. Outros nomes: umbaúba, árvore da preguiça, pau de lixa, caixeta, imbaíba, ambaíba, baibeira, torém.

I - IPÊ-AMARELO
Nome científico: Tabebuia alba
Onde é encontrado: Rio de Janeiro, Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, na floresta semidecídua de altitude. Outros nomes: ipê-da-serra, ipê-amarelo-da-serra, ipê-mandioca, ipê-branco, ipê-tabaco, ipê-mamona.

5. Letras Adicionais

CH - CHAL-CHAL
Nome científico: Allophylus edulis
Onde é encontrada: região amazônica até o Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Rio de janeiro até o Rio Grande do Sul, principalmente na floresta pluvial e semidecídua. Outros nomes: vacum, vacunzeiro, chala-chala, baga-de-morcego, fruta-de-pombo, murta-branca, fruta-de-pavó, fruta-de-paraó, murta-vermelha.

GÜ - GUAXUPITA
Nome científico: Esenbeckia grandiflora
Onde é encontrada: Rio de Janeiro e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, principalmente na floresta latifoliada semidecídua. Outros nomes: canela-de-cutia, pau-de-cutia.

J - JACARANDÁ
Nome científico: Jacaranda angustifolia
Onde é encontrado: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo até o Paraná, principalmente na floresta latifoliada semidecídua da bacia do Paraná. É muito semelhante à espécie exótica Jacaranda mimosaefolia (jacarandá mimoso) nativa do norte da Argentina. Outros nomes: caroba, jacarandá-de-minas, caivá, jacaranda-branco, caroba-branca, pau-de-colher, pau-santo, carobeira, jacarandá-preto, mulher-pobre.

P - PITANGA
Nome científico: Eugenia uniflora
Onde é encontrada: Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, na floresta semidecídua do planalto e da bacia do rio Paraná. Outros nomes: pitangueira, pitangueira-vermelha, pitanga-roxa, pitanga-branca, pitanga-rósea, pitanga-do-mato.

V - VAROVA
Nome científico: Prunus sellowii
Onde é encontrada: Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul na mata pluvial atlântica e Minas Gerais e Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul nas florestas semidecíduas. Outros nomes: pessegueiro-bravo, pessegueiro-do-mato, miguel-pintado, coração-de-negro, marmelo-do-mato, coração-de-bugre, varoveira.

Podem-se formar os nomes das letras com a consoante inicial mais uma só vogal, ou, no caso das vogais, apenas com o som da própria vogal, como em português. Teríamos assim: ba, li, fi, sa, na; hor, di, tu, ca, qua; ma, go, nha, zi, ro; a, o, u, e, i; cha, gua, ja, pi, va.

Por Bellovesos Isarnos

Excelente estudo a todos!

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo

Leia também: Ogham e os Símbolos das Fedha


3 de maio de 2012

Palestra: O corpo e a espiritualidade celta


Rowena Arnehoy Seneween - Caer Siddi / DNA

Local: Lira Serrano - Salão Superior
Dia: 06/05/2012 (Domingo) às 13h10min
Palestra aberta e gratuita!

Veja a programação completa: Casa de Bruxa - Tânia Gori

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!


31 de março de 2012

A Voz do Bardo

Escutai a voz do Bardo!
Que vê o Presente e Passado,
E o Futuro que escutou
O antigo Verbo Sagrado
Quando entre as velhas árvores andou...

Chamando em pranto a extraviada
Alma, na noite rociada;
Que tinha controle sobre
O ástreo céu que nos cobre
E a renovada luz já degradada!

“Ó Terra, Terra, retorna!
Levanta da relva e torna,
Que a noite fria definha
E a clara alvorada, morna,
Por sobre as negras massas se adivinha.

“Não fujas, não fujas mais;
Se foges, para onde vais?
O firmamento que se abre
E os úmidos litorais
Hão de ser teus, até que a noite acabe.”

Por William Blake
Tradução de Renato Suttana



Leia também: O Caminho do Bardo

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.


24 de fevereiro de 2012

Os 30 dias Druídicos

O que são os 30 dias Druídicos?

Os 30 dias druídicos surgiram com a proposta inicial do druida Endovelicon, logo após o II Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, em São Paulo.

Em honra à dedicação enlaçada por cada integrante do caminho e, que se assim o desejasse, de compartilhar suas práticas e vivências pessoais concernentes ao Druidismo, de forma leve e descontraída, com uma nova postagem por dia, durante um mês.

Os temas sugeridos para essa jornada são:

1. Porque Druidismo?
2. Cosmologia
3. Terra e Natureza
4. Três Reinos
5. Elementos
6. Espaços Sagrados
7. Prática Diária
8. Divindades e Crença
9. Ancestrais
10. Espíritos da Natureza
11. Ritual
12. Roda do Ano
13. Inspiração
14. Meditação
15. Histórias
16. Poesia
17. Ética
18. Ciência e Filosofia
19. Magia
20. Oração
21. Vida Consciente
22. Família/Amigos
23. Comunidade
24. Trabalho
25. Pisando Leve
26. Distrações
27. Um Dia Druídico
28. Caminho
29. Futuro
30. Conselhos

Sob essa proposta que os bons ventos possam nos inspirar... Fáilte!

Acompanhe os 30 dias no site: Templo de Avalon : Caer Siddi

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.


2 de fevereiro de 2012

Documentário: Os Celtas

The Celts: Blood, Iron And Sacrifice - Alice Roberts And Neil Oliver



"Os três componentes fundamentais da vida do homem são: movimento, conhecimento e awen." - Tríades do Bardismo.

Rowena Arnehoy Seneween /|\



Leia no Templo de Avalon: Os Contos Celtas

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

28 de janeiro de 2012

Lugh, o brilhante!

Lugh o Deus dos ferreiros e das múltiplas habilidades.

O Deus a quem os celtas continentais chamam de Lugus e os insulares de Lugh, é um dos melhores documentados e mais bem compreendidos dentre as divindades celtas. As provas incluem a iconografia do período pré-romano, testemunhos de escritores e historiadores greco-romanos, tradições literárias da cultura celta na Idade Média, narrativas populares modernas em línguas celtas e práticas de rituais, conservadas, principalmente, em comunidades rurais.

A sua origem é mista, pois pertence ao ramo dos Tuatha Dé Danann pelo lado do pai, Cian, e aos Fomorianos pelo lado materno, Ethniu. Uma profecia dizia que Balor, o do olho malévolo, seria morto por seu neto, o que se concretiza na Segunda Batalha de Magh Tuiredh (Moytura). Para tentar evitar esse destino, Balor mandou dar fim nos netos, mas Lugh sobreviveu e foi criado por Tailtiu.

By Ingrid GrayWolfSua festividade é Lughnasadh, a festa da primeira colheita. Lugh ficou conhecido pela alcunha de "Lugh Lámfada" - Lugh dos braços longos e "Lugh Samildanach" - Lugh, o artesão múltiplo. É o Deus dos ferreiros, cujo domínio incluía a magia, as artes e todos os ofícios em geral. Seu nome significa "Luz" ou "Brilhante" - belo como o Sol.

Em toda a Irlanda e em muitas outras partes do mundo celta, a celebração de Lughnasadh ou de qualquer outra festa da colheita, está centrada nos primeiros frutos de plantas cultivadas, que eram levados para uma local para serem abençoados e compartilhados pela comunidade, em honra a soberania da terra, representada pela mãe adotiva de Lugh, Tailtiu.

Lughnasadh também era uma ocasião de paz entre a tribos, na qual as questões jurídicas eram resolvidas, os problemas políticos eram discutidos, artesãos, artistas e animadores tinham a chance de mostrar seus talentos, além de eventos esportivos, simbolizando a luta com o antigo Deus da terra, Crom Cruach (Crom Dubh) e Lugh, a representação extraordinária do jovem Deus irlandês que suplanta o velho Deus... Além disso, Lughnasadh é marcado por um período de tempestades com chuvas abundantes. O Sol, neste caso, representaria o olho ardente de Balor e a lança de Lugh se tornaria necessária para dominar o seu poder, onde o intenso calor do verão poderia colocar em perigo às colheitas.

Mas em termos práticos, o prêmio da batalha, é claro, a colheita, o fruto do ciclo agrícola e todo o significado do mito só pode ser entendido no contexto ritual da festa da colheita de Lughnasadh, a própria festa de Lugh e toda a sua simbologia. Como relata Alexei Kondratiev.

Uma boa colheita a todos!

Fonte de pesquisa:
Mythical Ireland: Lugus por Alexei Kondratiev
Shee-eire - Magic & mythology: Deuses e Deusas Celtas
Templo de Avalon - Caer Siddi: Tuatha Dé Danann - Mitos e lendas

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


6 de janeiro de 2012

Sobre o Renascimento

Por Bellovesos Isarnos

Como os celtas não acreditavam em pecado ou na necessidade de ajustar contas morais, eles não tinham porque admitir que as pessoas voltassem a este mundo como regra geral e para o resgate de débitos passados. Se admito a reencarnação eu tenho, portanto, de imaginar para ela outra classe de justificativa. Esse é, para mim, o único senão.

Se pensarmos bem, a partir do momento em que não se admite a reencarnação, pode-se entender que o espírito é criado ao mesmo tempo que o corpo. Se o espírito é criado ao mesmo tempo que o corpo, não existem experiências prévias, não há sabedoria anteriormente adquirida, ninguém é mais sábio (mais velho, mais experiente) do que ninguém. Isso vale tanto para o homem como para os animais. Se os animais têm algum conhecimento especial, esse somente poderia ser o da espécie como um todo. Porém, como isso não se mostra no ser humano, não pode ser o caso. A não ser que o ente humano fosse uma espécie separada dentro (ou mesmo fora) da Natureza, o que é muito mais difícil de admitir.

Existiria a possibilidade da transmissão genética do conhecimento. Mas nós vemos muitas pessoas inteligentes e laboriosas que têm descendentes totalmente imprestáveis. Isso não se dá entre os animais. O ser humano então seria, mais uma vez, exceção.

Quaisquer que sejam as questões que nos coloquemos ante o problema da reencarnação, esta permanece uma possibilidade aceita no ensinamento antigo. Como é a mais contrária à Igreja Romana e somente permaneceu em duas menções na mitologia irlandesa (e referências obscuras em Gales) e era lembrada por algumas pessoas como ensino tradicional na época em que Evan-Wentz escrevia seu excelente 'The Faerie Faith in Celtic Countries', talvez essa tenha sido uma crença muito difundida num passado distante. Portanto, aceitá-la não me provoca dores de consciência.

E não penso que tenhamos de acreditar em tudo que os antigos acreditavam ou procurar fazer as coisas exatamente como eles faziam. Tenho algumas cabeças de cerâmica no meu altar, mas elas são apenas simbólicas. Nunca imaginaria dizer: "Ah, que saudade daqueles tempos em que ornávamos com crânios verdadeiros, os portais dos santuários, aquilo sim era devoção!" Muitas das crenças dos celtas eram mera superstição, barulhenta e insossa, e os druidas antigos seguramente sabiam disso, mas respeitavam as inclinações do povo entre o qual viviam e ao qual deveriam servir. Deviam lucrar com isso. Jamais tento fazer dos druidas figuras míticas. Já ressaltei mais de uma vez, acho, que eles trabalhavam para viver e gostavam de ser bem pagos.

Admitindo que a reencarnação não seja obrigatória, ela se torna uma questão que envolve o principal dom que o Universo deu ao ser humano: o livre-arbítrio. Uma vez que tenhamos eliminado a reencarnação compulsória (como necessidade de purificação), a única razão para que uma alma retorne a este mundo é o exercício do seu livre-arbítrio, por motivos que apenas ela bem conhece. A Viagem de Bran Mac Febal e a Viagem de Máel Dúin mostram isso. Nos dois casos, grupos de homens escolhidos atravessam o oceano para chegar a um lugar de perfeição, o qual acabam abandonando unicamente por sua própria vontade. Eles não são expulsos, não são coagidos a partir de forma alguma. Eles o fazem porque assim desejam, porque não estão ainda prontos para habitar no estado de absoluta tranquilidade que encontraram. Quando a sua inquietação chega ao máximo, eles entram no barco e vêm dar às praias deste mundo. Eles não precisariam fazer isso. Mas fazem assim mesmo. Porque sentem uma necessidade íntima.

Essa é a diferença entre a reencarnação céltica e, digamos, a espírita: na primeira não há uma ênfase na necessidade de fazer reparações. O importante é a vontade de voltar para realizar outras coisas, provar a própria força, passar por novas experiências e aprender mais. A alma é impulsionada à frente pelo desejo. Sem este, haveria apenas uma eternidade apática e vazia no Outro Mundo. Seria algo como a noção que vulgarmente se tem do Céu cristão: você é um pessoa boa, morre, sua alma vai para o Céu e você passa o resto da eternidade vestindo uma camisola e tocando harpa com os anjos. Que noção assustadora esse descanso eterno!

Além disso, considere a alternância que se apresenta em todos os aspectos da compreensão céltica do tempo: meio ano de escuridão (de Samhain a Beltane), meio ano de luz (o inverso), cada mês com uma metade escura e outra luminosa, cada quinzena formada por uma sucessão de dias propícios e nefastos, cada noite com seu dia... Como seria possível conceber que a mente céltica - operando com ciclos de manifestação e de retorno ao não-manifesto - criasse a idéia de uma ida sem volta? E as ovelhas do conto de Peredur ab Efrawg (Peredur, filho de York), um dos romances galeses arturianos associados ao Mabinogion? Ali está escrito:

Ele foi em direção a um vale, pelo meio do qual corria um rio. E as extremidades do vale eram cobertas de árvores e, em cada lado do rio, havia campinas planas. E, num lado do rio, ele viu um rebanho de carneiros brancos e, no outro lado, um rebanho de carneiros negros. E, sempre que um dos carneiros brancos balia, um dos carneiros negros atravessava o rio e tornava-se branco; e, quando um dos carneiro negros balia, um dos carneiros brancos atravessava o rio e tornava-se negro. E ele viu uma alta árvore ao lado do rio, uma metade da qual estava em chamas da raiz à copa e a outra metade era verdejante e cheia de folhas. E, perto desse lugar, ele viu um jovem sentado numa colina e dois galgos de peitos brancos e malhados, em coleiras, lado a lado. Ele estava certo de jamais ter visto um jovem de aspecto tão nobre como esse. E, na floresta do outro lado, Peredur escutou galgos perseguindo uma manada de cervos.

Peredur saudou o jovem e o jovem cumprimentou-o em retribuição. E havia três estradas que partiam da colina; duas delas eram estradas largas e a terceira era mais estreita. E Peredur perguntou ao jovem aonde as estradas levavam. ‘Uma delas vai ao meu palácio’, disse o jovem, ‘e aconselho-te que faças uma de duas coisas: ou prosseguires até meu palácio, que está à tua frente e onde encontrarás minha esposa, ou permaneceres aqui para veres os galgos perseguindo os cervos espantados da floresta à planície. E verás os melhores cães de caça que jamais contemplaste (e os mais corajosos numa caçada) abaterem-nos perto da água ao nosso lado; e, quando chegar a hora da refeição, virá meu pajem com meu cavalo encontrar-me e descansarás em meu palácio nesta noite.’

‘Que o Céu te recompense, mas não posso demorar-me, pois devo seguir adiante.’

‘A outra estrada conduz à cidade que fica perto daqui e onde comida e bebida podem ser compradas. E a estrada que é mais estreita que as outras vai em direção à caverna do Addanc.’

Aí está o intercâmbio das almas entre os mundos. É possível ser mais claro? Não, porque a Igreja Romana teria proibido o livro. Na Irlanda, o mesmo tema foi tratado de forma semelhante, como se vê em Immram Curaig Maele Duin (A Viagem de Barco de Máel Dúin):

Cedo, na manhã do terceiro dia depois disso, avistam uma outra ilha, com uma paliçada de bronze no meio que dividia a ilha em duas partes e ali percebem ao longe grandes rebanhos de carneiros, um negro no lado de cá do cercado e um rebanho branco no lado mais distante. E viram um homem grande separando os rebanhos. Quando ele lançava um carneiro branco por cima da cerca deste lado para os carneiros negros, ele se tornava subitamente preto. Assim, quando ele lançava um carneiro negro sobre a cerca do lado mais distante, ele se tornava subitamente branco. ‘Isto que seria bom nós fazermos:’, disse Máel Dúin, ‘lancemos dois bastões na ilha. Se eles mudarem de cor, também decidiremos se desceremos à terra ou não.’ Assim, atiraram um bastão de casca preta no lado onde estavam os carneiros brancos e ele se tornou imediatamente branco. Então, lançaram um bastão descascado no lado onde estavam os carneiros negros e ele se tornou imediatamente preto.

‘Não afortunada foi essa experiência', disse Máel Dúin. ‘Não desçamos à ilha. Sem dúvida, nossas cores não se sairiam melhor do que os bastões.’

Nos contos do Mabinogion (Primeiro e Segundo Ramos), encontra-se um personagem chamado Pendaran Dyfed. No fim do mabinog de Pwyll, ele é um dos que estão à mesa do príncipe no momento em que Teyrnion Twrif Fliant devolve Pryderi a seus pais. Pwyll nomeia Pendaran pai adotivo de Pryderi. No Segundo Ramo, Pryderi é um dos que acompanham Bran, o Abençoado, à Irlanda, na expedição contra o rei Matholwch por causa dos maus-tratos infligidos a Branwen. Ao partirem, Bran nomeia sete ministros para que tomem conta da Ilha da Britânia enquanto ele estiver fora. Ora, o narrador afirma que Pendaran Dyfed permaneceu com esses sete como um jovem pajem. Depois, quando os guerreiros (apenas sete sobreviventes) voltam da batalha na Irlanda e descobrem que a Britânia tinha sido tomada por um usurpador e que não sobrevivera nenhum dos ministros do rei Bran, o narrador novamente diz que Pendaran Dyfed, que tinha permanecido como um jovem pajem entre eles, conseguiu escapar da matança realizada por Caraddawc entre os seguidores de Bran fugindo para a floresta. Não há menções posteriores a ele.

No Primeiro Ramo, Pendaran é importante o bastante para ocupar um lugar à mesa de Pwyll, íntimo e experiente o suficiente para que o príncipe lhe confiasse a educação do próprio filho. No Segundo Ramo, Pryderi já está crescido o bastante para ir à guerra, mas Pendaran é um jovem pajem (um menino ou adolescente) na corte do Grande Rei. Como se explica a contradição, o que ela quer mostrar? Como se explica que, no Primeiro Ramo, Pendaran fosse um homem maduro ou idoso, mas um menino no Segundo Ramo? Você já imagina a resposta. É possível ser mais claro? Não, porque a Igreja Romana teria proibido o livro. Mesmo assim... Jesus disse que era preciso ser uma criancinha para ganhar o Reino do Céu.

Jesus também disse que o Reino do Céu está dentro de nós. Essa é igualmente a posição da tradição céltica: se houver inquietude dentro de você, se a harmonia não estiver ali solidamente estabelecida, você não conseguirá permanecer para sempre no lugar da harmonia. E isso não é nenhum tipo de punição - os Deuses não julgam, por isso não perdoam, nem punem -, mas uma lei natural.

Nem todas as almas que fazem a viagem alcançam a Terra da Juventude, Tír na n-Óg. Algumas ficam presas nas ilhas intermediárias e somente aquelas que voltam da Terra da Juventude para este mundo conseguem tirá-las de lá. Uma das funções da instrução espiritual (para não empregar o termo iniciação) é fornecer um mapa do caminho e ensinar a evitar os perigos da jornada. Por esse motivo é ela mais fácil para aqueles que já possuem esse conhecimento. Os demais podem passar por grandes dificuldades lutando contra os demônios de suas próprias mentes, jamais avançando além de um ponto em que serão libertados pelos que estiverem fazendo o caminho do retorno. Essas são as pessoas que não têm a oportunidade de usar o livre-arbítrio, aquelas para as quais a reencarnação é compulsória (no sentido de que não tiveram a oportunidade de fazer uma escolha, enquanto os que voltam da Terra da Juventude fazem-no voluntariamente).

Penso que considerar a escolha como fator determinante na questão do renascimento concilie as opiniões conflitantes, a saber, se o renascimento é neste mundo ou no Outro Mundo. Apenas no Outro Mundo, se a alma se achar pronta para isso. Neste também, se a alma, não suportando indefinidamente o contato com a perfeição (e a Verdade) ou por outro motivo, achar necessário, que seja assim!

Fonte: Bellovesos Isarnos - Renascimento 4

Um texto bem interessante, esclarecendo a visão céltica sobre o renascimento... Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®