15 de dezembro de 2013

Correspondentes Mágicos

Por meio do resgate céltico de interação aos três reinos - Céu, Terra e Mar, utilizamos o simbolismo dos caldeirões da poesia e os nove elementos (dúile) do corpo com o mundo natural, do macrocosmo ao microcosmo, uma correspondência de origem indo-européia, para ativar e equilibrar nossa energia vital através da meditação e da visualização.



É tempo de fluir: Sugestão para celebrar o Solstício de Verão

Rowena Arnehoy Seneween ®


14 de novembro de 2013

Vivenciando os Nove Elementos

Ao vivenciarmos os nove elementos, construiremos uma ponte entre o visível e o invisível que fluirá de forma poética, entre o corpo físico e o anímico. "O corpo está na alma e esse reconhecimento dá a ele uma dignidade sagrada e mística." John O'Donohue.

Os dúile podem ser agrupados da seguinte forma:

• Tríade da Terra: pedra, solo e plantas.
• Tríade do Mar: água, vento e Lua.
• Tríade do Céu: Sol, nuvens e estrelas.

"A 'tríade' é uma fórmula literária utilizada para a aprendizagem tradicional, que combinou três conceitos e dominou a maior parte da literatura vernacular Celta." Como afirma a arqueóloga Professora Doutora Miranda Green, no livro Símbolo e Imagem na Arte religiosa Celta.

O simbolismo mágico do número três está presente em vários contos celtas, desde o Lebor Gabála Érenn, como: as três rainhas dos Tuatha Dé Danann Banba, Fotla e Erin ou as "Três Morrígans" Morrighan, Badb e Macha, no Ciclo Mitológico Irlandês; até no Mabionogion, por exemplo: em "Culhwch e Olwen, conta que Culhwch precisa realizar três vezes a mesma ação antes de casar com Olwen. O número três pode ser intensificado para nove (três vezes três), possivelmente indicando conquista e plenitude.

Fluindo entre um reino e outro em ciclos de nascimento, morte e renascimento, há uma sabedoria guardada secretamente na Árvore da Vida através dos símbolos do Ogham, que ao serem decifrados magicamente, evocam toda a sabedoria do bosque sagrado como chaves de conhecimento ao nos trazer mensagens do Outro Mundo. Na foto: Ogham com sementes do Guapuruvu distribuídas no encontro.

Inspiração, cura e equilíbrio interior fluindo através dos três reinos (dança e tambores), os caldeirões da poesia e as mensagens do ogham.

Palestra: IV EBDRC
Rowena A. Seneween – Caer Siddi
Sábado 16/11 – 15h15 às 16h15

Informações: http://ebdrc.wordpress.com

Rowena Arnehoy Seneween ®


31 de outubro de 2013

Feira Cultural da Idade Antiga e Medieval

"Baseada na importância do conhecimento sobre fatos históricos que mudaram o destino da Humanidade queremos através da Feira Cultural da Idade Antiga e Medieval "Entre Mundos", dar oportunidade para que o público possa reviver através da arte, música e dança uma pequena parcela deste tão importante período da nossa história.



Com o propósito de arrecadar verba para a entidade Associação Mata Ciliar, contaremos com participação colaborativa de artistas, professores, músicos, palestrantes, dançarinos, cantores, atores, poetas, trovadores e amantes da história clássica antiga e medieval."

Palestra com membros do D.N.A - Druidismo Nativo Ativista:

"Druidismo, um sopro moderno para uma antiga mensagem"

Tópicos da palestra:
Apresentação do D.N.A
Os Celtas
Druidismo
Ambientalismo Sagrado
Ecologia Profunda.

Dia 02/11/2013 - 15h30 - Sala de Palestras
Clube de Campo da Cica - Várzea Paulista
Região de Jundiaí - São Paulo
Programação: Feira Entre Mundos

Nós veremos lá... Feliz Beltane/Samhain a todos!

Rowena Arnehoy Seneween

Leia também: Festival de Beltane

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!


22 de setembro de 2013

Inspiração do Caminho

Adaptação da Canção do Macrocosmo de Taliesin:

"Eu louvo os meus Deuses,
A força que infundiu na minha cabeça,
Tanto na alma como na razão
Ao manter a guarda sobre meus sete sentidos
Do fogo e da água,
Da água e do ar,
Das brumas e das flores,
Do vento e das árvores.
Pois muita sabedoria hábil possuem
Ao confiarem em meu ser."

Taliesin descreve a harmonia dos sentidos formados a partir dos elementos e sub-elementos existentes dentro de nós, do macro ao microcosmo. Uma percepção cósmica que nos une através dos símbolos e dos mitos. Pode se dizer então, que vivenciamos uma época de transição e de transformação ao se atingir o ápice da primavera.

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar... Awen /|\

Para ritualizar: Sugestão para celebrar o Equinócio da Primavera

Rowena Arnehoy Seneween ®


30 de julho de 2013

Imbolg - texto original de Iain MacAnTsaoir

A respeito do original de Fiona MacLeod
Tradução Luciana Cavalcanti

Imbolg é o festival de Bride, conhecida em todas as terras gaélicas com algumas variações para o mesmo nome como Brid, Bride, Brigid, Brighid, etc... sendo alguns destes mais largamente conhecidos. Essas diferenças são o resultado da existência de dialetos diferentes de uma mesma língua. Ela é uma das Deusas mais amadas... O melhor escritor de todos os tempos sobre os Gaélicos é Fiona MacLeod. Seus escritos são difíceis de encontrar hoje em dia. Ainda assim, se existe alguém com dom da palavra, que sabia evocar emoção com esse dom, era ele. Certamente, qualquer um pode ver em seus relatos o amor que ele tinha por Bride. E por esse amor que, ele foi muito abençoado por Ela. O que se segue são trechos de vários de seus trabalhos.

Aqui vemos não só a importância que Ela tem para o nosso povo, mas sua ancestral conexão com o mês de fevereiro: "Eu tenho ouvido muitos contos sobre Bride, um dos seres mais amados e reverenciados do ancestral panteão gaulês. Eles são das Ilhas e talvez possam ser ouvidos em alguma parte do "Sgeulachdan Gaidhealach" ou contos gaélicos que continuam a ser contados no conhecimento popular das costas e das colinas. "Brighid bhoidheach". Bride a Bela, não é rara em canções e hinos sazonais, onde seus sinais são vistos ao longo das praias cinzentas, nas trilhas dos prados, no sulco dos vales, no caminho da costa branca. Os moradores da ilha sabem que o ano novo se revela enfim, que o alimento, calor e felicidade estão saindo do sul.

Em toda parte Ela é honrada... "Am fheill" Bride era até recentemente um festival de alegria no oeste, das regiões montanhosas da Escócia até a mais estreita faixas de praia da Barra ou de Lews, nas áreas montanhosas mais remotas da Escócia e nas Ilhas ainda continua sendo.

A associação de Bride com fevereiro é história antiga. Tão antiga que remonta os tempos dos monges cronistas, que tentaram colocar um manto cristão de disfarce sobre essa formosa Mulher. É uma história que se refere a cada um que levou à Mulher dos Gaélicos, suas oferendas e orações, a cada um que fala o "seannachaidh" quando conta sobre a aveia tomada por Brighid das Chamas, eles se referem àquela a quem os druidas prestavam honra como uma tocha repleta de luz eterna, a Filha da Manhã, que em uma mão segurava o Sol nascente como uma pequena chama amarela e em outra mão segurava a flor vermelha do fogo sem a qual, o homem seria como as bestas que vivem nas cavernas e buracos, o como o negro Fomor que tem seu habitat nas brumas, no vento e no deserto...

Leia mais: Imbolg - texto original de Iain MacAnTsaoir

Fáilte Imbolc!

Rowena Arnehoy Seneween ®


17 de junho de 2013

Um dia para ser lembrado

Vivenciando um período de fortalecimento interior durante o Solstício de Inverno, onde os poderes da noite e da terra atingem o seu ápice, pudemos testemunhar quando o povo brasileiro se organizou num dos maiores levante popular da sua história.

Esse é o tempo do equilíbrio... #BrasilAcordou!



Leia sobre: Solstício de Inverno

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®


28 de maio de 2013

IV Encontro Brasileiro de Druidismo e RC

Curas, Ritos e o Outro Mundo - de 15 a 17 de novembro de 2013.


Inscrições no blog do EBDRC.

Estaremos lá... Programe-se!

Rowena Arnehoy Seneween ®


29 de abril de 2013

A Grande Rainha

O nome de Morrigane (Morrigu ou Morrighan) que significa "Grande Rainha" evoca o da fada Morgana do ciclo arthuriano e do Graal, tratando-se, em qualquer dos casos, do mesmo arquétipo, ao mesmo tempo guerreiro, sexual e mágico.

Morrigane da epopéia irlandesa toma muitas vezes o aspecto de uma gralha ou corvo... A analogia com Morgana é evidente, pois ela e as suas companheiras da Ilha de Avalon possuem precisamente o mesmo dom de se metamorfosearem. Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Emain ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane, embora o seu nome não seja pronunciado neste episódio.


"Porque não havia de reinar a Grande Rainha nesta terra bem-aventurada de frutos maduros durante todo o ano e onde não existe a doença, a velhice e a morte?"

Seja como for, a ilha misteriosa de Emam Ablach é o equivalente, quer linguístico quer mitológico, da ilha de Avalon, a fabulosa Insula Pornorum para a qual convergem os mortos.

Morrigane é bem o tipo de mulher celta vista pelos autores das epopéias mitológicas; e, muitas vezes, vamos encontrar este tipo nas personagens femininas que, na fronteira entre o humano e o feérico, possuem dons mais ou menos sobrenaturais e o poderoso "géis", ou seja, o poder do encantamento mágico que tem o valor de obrigação absoluta para aquele ou aquela que dela é objeto.

Na epopéia celta, no entanto, o amor não é um sentimento isolado, fazendo parte das grandes mutações que se operam no universo, tudo se dirige, por entre as diversas peripécias psicológicas, para uma dimensão cósmica à qual ninguém consegue escapar.

(A Grande Epopéia dos Celtas de Jean Markale)

Leia também: Morrigan: A Grande Rainha

Feliz novo ciclo... Fáilte, Samhain!

Rowena Arnehoy Seneween ®


5 de abril de 2013

Quem é a Deusa-Mãe Celta?

"Muitas vezes são identificadas como Matronas ou Madres. Observe o plural, há muitas delas e parecem estar intimamente ligadas às características geográficas locais, tornando-as um pouco diferente das deusas-mães de outras mitologias. O arqueólogo T. G. E. Powell, no livro The Celts, aponta que "Essas Madres ou Matronas são geralmente descritas como sendo três figuras símbolos de fecundidade. Entre os epítetos, às vezes, elas possuem nomes de localidades, demonstrando mais uma vez, a sua identidade com a deusa da natureza territorial."

Matrona (uma figura gaulesa ou continental) está profundamente associada com o rio Marne, na França e há uma figura em Gales, Modron, que representa a mãe divina do filho divino, Mabon, mencionado com destaque no conto de Culwch e Olwen.

Há referências em todo o continente sobre as Madres (Matronae) e, sobretudo, na Renânia e na Gália Cisalpina. A iconografia agregada a estas figuras incluem, mas não se limitam apenas a isso, longas túnicas, por vezes, mostrando um seio ou acompanhada de bebês, crianças pequenas, fruta, pão e semelhantes. (Green 1992, 155).

Existem, por exemplo, o Comedovae Matres, em Aix-les-Bains, e a Matres, venerada em Chicester, Inglaterra, o Griselicae Matres de Greouls, no sul Gaul, o Nemausicae Matres, o Aufaniea Matronae da área Reno, o Vacallinehae Matronae e uma série de outros locais baseados em fertilidade femininos relacionados às divindades femininas, muitas vezes associadas com as crianças e representadas em três (Green 1992, 146-47). Você também vai notar que muitas delas (o Comedovae Madres, Madres Griselicae, eo Nemausicae) estavam intimamente associadas aos climas locais. (Green 1992, 160).

A arqueóloga Miranda Green menciona as imagens ao longo do muro de Adriano na Grã-Bretanha e inclui uma imagem da deusa tripla com um "bebê, um manto e equipamentos de banho" de Vertault, na Borgonha (155). Matraes / Matronae / Modron são figuras de soberania da terra. No entanto, há semelhanças muito fortes entre Modron e Mabon / Rhiannon e Pryderi e, claro, há uma tríade que descreve Branwen como uma das três grandes ancestrais da Grã-Bretanha. E dada a grande área envolvida e os números enormes de divindades femininas, precisamos ser cautelosos sobre evidentes generalizações.

Há muitas referências sobre a deusa-mãe, soberanas da terra, nos mitos irlandeses, um que vem à mente é Macha. Mas como Rhiannon, no mito galês, ou Modron, é arriscado rotular Macha como sendo exclusivamente uma "deusa-mãe." Ao fazê-lo, podemos cair no erro cometido por César e, infelizmente, um grande número de estudiosos hoje, usam a interpretação romana na tentativa de reduzir a abundância e a variedade das divindades celtas, a partir de uma variedade de áreas geográficas e épocas históricas para um esquema conveniente, organizado e classificado com base no panteão das divindades familiares de Roma."

Fonte: The Site for Celtic Studies

Tradução livre baseada na fonte de pesquisa.

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


22 de março de 2013

Citações de Hipácia de Alexandria

Todas as religiões dogmáticas formais são falaciosas e nunca devem ser aceitas como verdade absoluta por pessoas que respeitem a si mesma.

Fábulas devem ser ensinadas como fábulas, mitos, como mitos e milagres, como fantasias poéticas. Ensinar superstições como verdades é uma coisa terribilíssima. A mente infantil aceita-os e neles acredita e só através de muita dor e, talvez, da tragédia é que poderá ser, anos depois, deles aliviada.

Na verdade, os homens lutarão por uma superstição tão rapidamente como se por uma verdade viva - muitas vezes mais, uma vez que uma superstição é tão intangível que não podes alcançá-la para refutá-la, mas a verdade é um ponto de vista e, por isso, é mutável.

A vida é um desdobramento e, quanto mais viajamos, mais verdade podemos compreender. Entender as coisas que estão a nossa porta é a melhor preparação para a compreensão daquelas que estão além.

Preserve seu direito de pensar, pois mesmo pensar erroneamente é melhor do que não pensar de forma alguma.

Hipácia de Alexandria (filósofa, 350 - 415 E. C.)

Por Belloṷesus Īsarnos
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Havia uma mulher chamada Hipácia de Alexandria, na antiga civilização helênica, filha do filósofo Theon, que fez várias realizações em literatura, ciência, astronomia e matemática, superando todos os filósofos de seu tempo. Na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia aos seus auditores, muitos dos quais viam de longe para receber suas instruções. Por conta da posse de si mesmo e da facilidade de se expressar, que ela tinha adquirido em consequência do cultivo da sua mente, aparecia sempre em público na presença dos magistrados. A sua extraordinária dignidade e virtude eram admiradas por todos. Mesmo assim, na primavera de 415 d.C., Hipácia vivenciou uma situação trágica quando um grupo de monges cristãos agrediram e arrastaram o seu corpo para uma igreja, onde sua carne foi mutilada com telhas afiadas e em seguida queimada. Fonte: Alexandria na Web.


Imagem do filme Ágora: Hypatia of Alexandria

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


18 de março de 2013

A coruja na mitologia céltica

A coruja pode ser vista em diversos objetos do período lateniano (La Tène), como um torque escavado em Rheinheim (datado de c. séc. IV a. C.), onde uma coruja emerge da cabeça de uma deusa. Nesse período, corujas são não poucas vezes representadas junto a cabeças humanas, indicando algum importante significado religioso - embora não seja possível agora afirmar qual fosse exatamente esse significado.

Miranda Green (em "Dictionary of Celtic Myth and Legend", p. 134), considera que a própria coruja poderia ser uma lembrança de uma deusa com aspectos ctônicos e de fertilidade. Green segue nesse ponto Anne Ross, que menciona a representação de uma deusa não especificada, que não seria Minerva, em monumentos galo-romanos, na companhia de uma coruja. O raciocínio é o seguinte: os egípcios tinham deuses animais. Com o tempo, muitos desses deuses ganharam aspecto semi-humano; passaram a ser representados com corpos humanos, mas conservaram as cabeças dos animais que eram suas manifestações mais antigas, como Hórus com cabeça de falcão e Anúbis com cabeça de chacal.

Os celtas também adoravam deuses representados como animais. Quando esses deuses passaram a ser representados sob a forma humana (provável influência mediterrânea), a imagem da deidade era acompanhada pelo animal a ela antigamente associado.

Na Escócia e em Gales, a coruja possui nomes pouco agradáveis. Para os escoceses, ela é a "cailleach oidhche" (bruxa da noite). Para os galeses, "aderyn y corff" (ave-cadáver).

Em uma lenda bretã, a carriça desce ao inferno para obter fogo para os pássaros. Ela volta de lá trazendo uma brasa no peito. Ao voar para fora do inferno, a brasa salta e queima a cauda da carriça. Em agradecimento, cada uma das outras aves lhe dá uma de suas penas, exceto a egoísta coruja, que se recusa a oferecer o presente. Os outros pássaros ficam tão enfurecidos que a expulsam e condenam a voar sozinha pela noite.

E no Quarto Ramo do Mabinogion existe a menção à Blodeuwedd .

Bellovesos /|\

A coruja também está presente no conto de Culhwch e Olwen do Mabinogion, um dos quatro animais que auxiliariam no resgate de Mabon, filho de Modron e de acordo com os mitos galeses, foi sequestrado de sua mãe, quando tinha apenas três noites de vida. Para os antigos, ela representa sabedoria.

Créditos da imagem: Jen Delyth

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


1 de março de 2013

Os Tesouros da Irlanda

"O mais popular *cairn da Irlanda é sem dúvida o Brú na Bóinne, ou Newgrange, que é famoso pelo espetáculo anual que o sol, ao nascer na manhã do Solstício de Inverno, realiza. Ele adentra através de uma estreita passagem, iluminando a câmara interna e desenhando no chão da tumba uma espécie de obelisco de luz apontado diretamente para o que parece ser um altar central. Newgrange é datado de 3200 a.C. aproximadamente, o que o faz mais antigo que Stonehenge.

Os cairns de Carrowkeel, segundo datações por carbono 14, também são muito antigos, possuindo, como Newgrange, entre 5400 e 5100 anos de idade, o que significa que também são 500 a 800 anos mais velhos do que as pirâmides do Egito.

Ao longo das diferentes ondas de povos que foram encontrando seu lar na Irlanda, esses cairns foram apropriados, e utilizados de várias formas. Alguns, como o Heapstown Cairn e o próprio Brú na Bóinne, que diz-se ser o lar de deuses como o Daghda e Oengus mac Óg, tornaram-se foco de lendas. Outros foram utilizados de forma muito prática e direta, como o de Knowth, que em certa época teve uma cidade construída em seu topo, e suas câmaras internas utilizadas como rota de fuga subterrânea a ser utilizada em caso de ataque ou invasão." - Por Laise Ayres.

*Cairn: é uma pilha de pedras feita pelo homem.

Fonte: Tesouros da Irlanda

Um pouco mais aos apaixonados pela Irlanda: Ask About Ireland.

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo


15 de fevereiro de 2013

Quando os Celtas se tornaram Celtas?

Hecateu de Mileto (c. 550 - c. 476 a. E. C.), historiador grego, foi o primeiro a usar a palavra "Celtas" (Κελτοί) como designação de um grupo que vivia próximo à colônia grega de Massalia (hoje Marseille, no sul da França). C. Iulius Caesar usa os nomes Celta/Celtus (pl. Celtae/Celti).

Enquanto nos escritos de Strabo aparecem Κέλτης (pl. Κέλται) ou Κελτός (pl. Κελτοί), com referência às nações que falavam línguas célticas e ocupavam territórios no norte da Itália, na Europa centro-ocidental e, posteriormente, na Anatólia (atual Turquia). Não há concordância entre os linguistas quanto à etimologia da palavra.

Alguns acreditam que sua origem seria a raiz indo-europeia *k'el (ocultar); para outros, seria proveniente de *kel- (impulsionar, constranger). Para Galatae (grego Γαλατάι), propõem *gelh2- (poder, coragem) como origem e daí teria derivado também o latim Gallia, Gallus (Gália, gaulês).

Embora não seja possível precisar exatamente o sentido, o nome "Celta" era usado pelos nativos, pois ao menos uma tribo da Espanha (Celtici Supertamarici) aparece assim designada em uma inscição celtibérica (Celtiberi, os Celtibéros) romanizada. Trata-se dos Celtici (Plinius, "Naturalis Historia", III, §13; Κελτικοι em Strabo, "Geographiká", III, 1, §6). A própria antroponímia testemunha que kelt- era um palavra nativa: Celtiatus, Celtiatis (gen.), Arcelti (gen.), Concelti (gen.), Celtius, Celtus, Celtilla (fem.), Celta (fem.), e Celtillus (pai do conhecido Vercingetorix).

O temo "Celtas" ficou durante séculos sepultado nos textos dos autores greco-romanos. Porém, Edward Lhuyd, botânico, linguista, geógrafo e naturalista galês (1660 – 1709), depois de viajar por todos os condados de Gales a seviço do Museu Ashmoleano por vota de 1697, observando as semelhanças entre as línguas hoje chamadas célticas: as britânicas (galês, córnico e bretão) e as goidélicas (gaélico irlandês, gaélico escocês e manês), propôs no primeiro volume de sua obra "Archaeologia Britannica: an Account of the Languages, Histories and Customs of Great Britain, from Travels through Wales, Cornwall, Bas-Bretagne, Ireland and Scotland" que as línguas britânicas seriam descendentes do gaulês e as goidélicas, da língua das inscrições celtibéricas. Lhuyd considerou que essas seriam todas "línguas célticas" e "celtas", a designação coletiva dos povos que as falavam.

Desde então, os irlandeses, escoceses, galeses, bretões e os demais passaram a ser cada vez mais chamados "celtas", coisa que a eles próprios nunca havia ocorrido e que hoje poucos se dão ao trabalho de questionar. Em resumo: os que hoje consideramos Celtas começaram a ser Celtas a partir do finzinho do séc. XVII, começo do séc. XVIII, conforme critério linguístico.

Bellouesus /|\

Então, podemos dizer que os povos que hoje consideramos como celtas nunca se descreveram como tal. Isso é fato!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo

Leia mais em: Registros de Bellovesos


31 de janeiro de 2013

Crom Dubh/Cruach, Lugnasad e Tailtiu

Publicado na lista Druidismo Brasil do Yahoo em 30/11/2011.

O grande festival da colheita de Lugnasad é considerado o ponto alto do ano sazonal e foi celebrado em toda Ériu em cerca de 180 localidades diferentes. Vários historiadores, tradicionalistas e folcloristas acreditam que esse festival seja somente o resto de uma antiga celebração em honra de Crom Dubh ou Crom Cruach, com o qual é geralmente identificado, uma deidade dispensadora de abundância mas pouco conhecida, que não aparece na mitologia e pode, originalmente, ter sido o/a igualmente enigmático/a deus/a Crón (talvez a Caoranach).

A antiga Planície das Prostrações, Mag Slécht ou Moylet, perto de Coill an Chollaigh, em Cabháin, é usualmente mencionada nos contos encontrados no Ciclo Mitológico. Embora grandes batalhas tenham ocorrido ali, é mais notada como o local do Círculo de Crom Cruach (Crom Crúaich, Cenn Cruaich, Cend Crúaich, Cenn Cróich, Cenn Croth Cromm Cruaich ou Crom-eocha, de acordo com Vallencey) ou Crom Dubh. Esse círculo sagrado de pedras era composto por doze rochas e um pilar central que se acreditava representar Crom Cruach, ídolo principal ("ídal ard") dos irlandeses ("Ba hé a ndía", ele era seu deus; "Cenncroithi id est caput omnium deorum"), supostamente coberto de ouro e prata ("auro et argento ornato"). Esse local foi no passado um importante centro das celebrações de Lugnasad até São Patrício supostamente partir o pilar em seu esforço para extirpar a adoração pagã em Ériu.

A Dindsenchas (versão métrica) explica: "É a ele que costumavam sacrificar os primeiros nascidos ("cétgein") de cada prole e os primogênitos ("prímgein") de cada família", o que talvez incluísse animais além das crianças humanas, com o fim de assegurar bom clima e o suprimento anual de grãos e leite, além da fertilidade do gado.

A Dindsenchas também explica que Lug instituiu o festival de Lugnasad em honra de Tailtiu, deusa irlandesa dos grãos ou da colheita, talvez também uma deusa solar no passado, sua mãe adotiva. Tailtin, que dela recebeu o nome, era o local original do mais importante Lugnasad de Ériu. A assembleia antiga chamava-se "Áenach Tailteann", e, até os tempos históricos, foi famosa por seus casamentos, especialmente os de "um ano e um dia".

Tailtiu, "filha do rei da Espanha", era a esposa do último rei dos Fir Bolg, Eochu mac Eirc. É conhecida por roçar a floresta de Coill Cuan, o que a teria matado de fadiga "nas calendas de agosto", numa segunda-feira (dia da Lua). Após sua morte, "a mais importante feira de Ériu" passou a ocorrer em Tailtin na celebração estival de Lugnasad, sendo a rainha enterrada em Mullach Aiti perto de Tailtin.

Tailtin é o lugar onde os Mac Miled finalmente derrotaram as Tuatha Dé Danann e onde suas três deusas, Banba, Fodla e Ériu, foram mortas, ou simbolicamente sobrepujadas, depois do que as Tuatha Dé entraram na terra para juntar-se aos Síde. Situa-se às margens do Bó Guaire, rio irmão do grande Bó Find (o Bóinne), que a liga ao centro sagrado de Sliabh na Cailleach ou Colina da Bruxa. Sliabh na Cailleach foi identificada como o local do sepultamento de Tailtiu e é também mencionada na mitologia como o antigo lugar de descanso dos reis de Ulaid.

Assim, há dois locais de sepultamento para uma só deusa. Talvez, Slieve na Cailleach seja onde enterraram Tailtiu como deusa solar, enquanto Mullach Aiti seja onde enterraram Tailtiu como deusa da colheita. Tailtin foi outrora o tradicional centro sagrado para a celebração de Lugnasad.

Por Bellovesos Isarnos

Abençoadas sejam as colheitas!

Rowena Arnehoy Seneween /|\
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo

Leia também: Lugh, o brilhante!


2 de janeiro de 2013

Altar Pagão - Ceisiwr Serith

"Mantendo a tradição da ADF, este santuário é dedicado às divindades, aos antepassados e aos espíritos da natureza. E parte dele também se dedica a Deusa da lareira, porque ela é a ênfase principal do culto doméstico entre os indo-europeus." Por Ceisiwr Serith.

Uma visão indo-europeia para organizar um altar:



Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Leia também: Espaços Sagrados

Rowena Arnehoy Seneween