29 de abril de 2013

A Grande Rainha

O nome de Morrigane (Morrigu ou Morrighan) que significa "Grande Rainha" evoca o da fada Morgana do ciclo arthuriano e do Graal, tratando-se, em qualquer dos casos, do mesmo arquétipo, ao mesmo tempo guerreiro, sexual e mágico.

Morrigane da epopéia irlandesa toma muitas vezes o aspecto de uma gralha ou corvo... A analogia com Morgana é evidente, pois ela e as suas companheiras da Ilha de Avalon possuem precisamente o mesmo dom de se metamorfosearem. Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Emain ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane, embora o seu nome não seja pronunciado neste episódio.


"Porque não havia de reinar a Grande Rainha nesta terra bem-aventurada de frutos maduros durante todo o ano e onde não existe a doença, a velhice e a morte?"

Seja como for, a ilha misteriosa de Emam Ablach é o equivalente, quer linguístico quer mitológico, da ilha de Avalon, a fabulosa Insula Pornorum para a qual convergem os mortos.

Morrigane é bem o tipo de mulher celta vista pelos autores das epopéias mitológicas; e, muitas vezes, vamos encontrar este tipo nas personagens femininas que, na fronteira entre o humano e o feérico, possuem dons mais ou menos sobrenaturais e o poderoso "géis", ou seja, o poder do encantamento mágico que tem o valor de obrigação absoluta para aquele ou aquela que dela é objeto.

Na epopéia celta, no entanto, o amor não é um sentimento isolado, fazendo parte das grandes mutações que se operam no universo, tudo se dirige, por entre as diversas peripécias psicológicas, para uma dimensão cósmica à qual ninguém consegue escapar.

(A Grande Epopéia dos Celtas de Jean Markale)

Leia também: Morrigan: A Grande Rainha

Feliz novo ciclo... Fáilte, Samhain!

Rowena Arnehoy Seneween ®


5 de abril de 2013

Quem é a Deusa-Mãe Celta?

"Muitas vezes são identificadas como Matronas ou Madres. Observe o plural, há muitas delas e parecem estar intimamente ligadas às características geográficas locais, tornando-as um pouco diferente das deusas-mães de outras mitologias. O arqueólogo T. G. E. Powell, no livro The Celts, aponta que "Essas Madres ou Matronas são geralmente descritas como sendo três figuras símbolos de fecundidade. Entre os epítetos, às vezes, elas possuem nomes de localidades, demonstrando mais uma vez, a sua identidade com a deusa da natureza territorial."

Matrona (uma figura gaulesa ou continental) está profundamente associada com o rio Marne, na França e há uma figura em Gales, Modron, que representa a mãe divina do filho divino, Mabon, mencionado com destaque no conto de Culwch e Olwen.

Há referências em todo o continente sobre as Madres (Matronae) e, sobretudo, na Renânia e na Gália Cisalpina. A iconografia agregada a estas figuras incluem, mas não se limitam apenas a isso, longas túnicas, por vezes, mostrando um seio ou acompanhada de bebês, crianças pequenas, fruta, pão e semelhantes. (Green 1992, 155).

Existem, por exemplo, o Comedovae Matres, em Aix-les-Bains, e a Matres, venerada em Chicester, Inglaterra, o Griselicae Matres de Greouls, no sul Gaul, o Nemausicae Matres, o Aufaniea Matronae da área Reno, o Vacallinehae Matronae e uma série de outros locais baseados em fertilidade femininos relacionados às divindades femininas, muitas vezes associadas com as crianças e representadas em três (Green 1992, 146-47). Você também vai notar que muitas delas (o Comedovae Madres, Madres Griselicae, eo Nemausicae) estavam intimamente associadas aos climas locais. (Green 1992, 160).

A arqueóloga Miranda Green menciona as imagens ao longo do muro de Adriano na Grã-Bretanha e inclui uma imagem da deusa tripla com um "bebê, um manto e equipamentos de banho" de Vertault, na Borgonha (155). Matraes / Matronae / Modron são figuras de soberania da terra. No entanto, há semelhanças muito fortes entre Modron e Mabon / Rhiannon e Pryderi e, claro, há uma tríade que descreve Branwen como uma das três grandes ancestrais da Grã-Bretanha. E dada a grande área envolvida e os números enormes de divindades femininas, precisamos ser cautelosos sobre evidentes generalizações.

Há muitas referências sobre a deusa-mãe, soberanas da terra, nos mitos irlandeses, um que vem à mente é Macha. Mas como Rhiannon, no mito galês, ou Modron, é arriscado rotular Macha como sendo exclusivamente uma "deusa-mãe." Ao fazê-lo, podemos cair no erro cometido por César e, infelizmente, um grande número de estudiosos hoje, usam a interpretação romana na tentativa de reduzir a abundância e a variedade das divindades celtas, a partir de uma variedade de áreas geográficas e épocas históricas para um esquema conveniente, organizado e classificado com base no panteão das divindades familiares de Roma."

Fonte: The Site for Celtic Studies

Tradução livre baseada na fonte de pesquisa.

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo