27 de abril de 2011

O Reino de Samhain

Samhain, literalmente, significa o fim do verão, marcando também quase todos os eventos épicos ou míticos da Irlanda. Na realidade, ele demarca a mudança do ano celta, onde a parte clara do ano, representada por Beltane, completa-se na parte escura de Samhain.

O Reino de Samhain é o reino das sombras, onde o clima, geralmente, se torna mais sombrio nesta época do ano. Os ventos gélidos que sopram do mundo dos mortos, nas longas noites de inverno, são propícias às reuniões e banquetes em família.

Um bom exemplo do mito acontece na "Segunda Batalha de Moytura", quando Dagda tem um encontro mágico com Morrighan, a Deusa Soberana da Terra e da Guerra, na qual ela prevê a vitória dos Tuatha Dé Danann sobre os Fomorianos.

Este é um momento de transição entre dois mundos, um tempo de honrar e relembrar aqueles que partiram.

E por essa força ancestral, eu agradeço a minha parte...

Celebrando os Deuses, a beleza e o poder da natureza, as mudanças sazonais e o equilíbrio da escuridão e da luz. Que assim seja!

Leia também: A Noite Sagrada de Samhain

Fáilte, Samhain!

Rowena Arnehoy Seneween ®


8 de abril de 2011

Os Três Caldeirões

Há um outro estudo baseado num antigo poema irlandês, atribuído a Amergin, preservado em um manuscrito do século XVI, chamado de "O Caldeirão da Poesia" que relaciona a poesia ao que está sendo gerado em três caldeirões internos do homem.

Posição normal         Posição oblíqua        Posição invertida

Uma visão do macrocosmo refletida no microcosmo individual. Este estudo também está presente nos princípios da organização Imbas - Reconstrucionismo Celta - RC. Site: www.imbas.org

A partir deste princípio, os caldeirões estão relacionados a nove elementos ou virtudes essenciais ao homem, conhecidos como "dúile ou dhúile " - o número nove é sinônimo de plenitude para os celtas - que, por sua vez, estão interligados ao Cosmos e à natureza, facilitando a manifestação do divino.

Todo esse conhecimento está oculto na linguagem dos poetas. Cada caldeirão possui três, das nove virtudes, que podem ser ativadas através da meditação e da respiração, fazendo parte das práticas diárias de conexão aos Três Reinos. A alegria ou a tristeza são as responsáveis pelo movimento deles, simbolicamente, o caldeirão "confere o que é concedido", àqueles que buscam sabedoria para os trabalhos de magia, adivinhações ou cura.

Um tema bem interessante, que iremos conversar durante a jornada!

"As três velas que iluminam toda a escuridão: a Verdade, a Natureza e o Conhecimento." Tríade irlandesa.

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.



4 de abril de 2011

Iluminação Poética

Amergin era considerado um "Ollamh", título que literalmente significa "Mestre". Cada tuath ou tribo celta tinha seu próprio Ollamh, tido como o maior e o melhor Druida local. Amergin é filho de Mil, chefe dos Milesianos que lutou contra os Tuatha Dé Danann, descrito no "Lebor Gabála Érenn" - O Livro das Invasões.


Há vários poemas atribuídos a ele, que sugerem um trabalho interior para se alcançar o caminho da iluminação, da realização poética e mágica. Um tema que nos inspira durante a jornada!

A Canção de Amergin

"Eu sou o vento sobre o mar.
Eu sou a onda do oceano
Eu sou o rugido das ondas,
Eu sou o poderoso boi de combate,
Eu sou o falcão no penhasco,
Eu sou a gota de orvalho no raio de Sol,
Eu sou o javali selvagem,
Eu sou o salmão da sabedoria,
Eu sou o lago da planície,
Eu sou a força da palavra,
Eu sou a lança certeira,
Eu sou o fogo que cria o pensamento.
Quem ilumina a pedra da montanha, se não eu?
Quem sabe o lugar no qual o pôr-do-sol se deita?
Quem conhece as idades da lua, se não eu?
Quem mostra o lugar de onde o sol vai descansar?
Quem chama o gado de volta para casa, se não eu?
Quem é o Deus da forma, da batalha e dos ventos?
Quem é que sabe o segredo do dólmen, se não eu?"



Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

Crédito da imagem: Luca Tarlazzi